GRAOS | Dobradinha com a pecuária

Com o mercado do boi gordo valorizado, nos últimos anos muitos pecuaristas adotaram uma nova prática. Compram terneiros no outono, para engordá-los na entressafra e depois revendê-los nos remates de primavera. Com a prática, além do ganho com a pastagem, principalmente azevém e aveia, o produtor aduba o solo para a ciclo seguinte de grãos.
– O Rio Grande do Sul praticamente se dividiu no inverno em duas opções: trigo e boi. Só que, para manter o gado, é preciso alguns pré-requisitos, como cercas e mão de obra preparada – diz o presidente da Fecoagro, Paulo Pires.
Apesar de ainda restrita, a novidade é vista com bons olhos.
– Não é uma ameaça. Ao contrário. Não estamos usando nem 30% da área que o Estado tem para plantar. A pecuária é hoje oportunidade para aqueles que têm experiência – afirma Hamilton Jardim, presidente da Comissão de Trigo da Farsul.
A divisão entre pecuária e trigo no inverno sempre foi uma marca da propriedade de Cleo Pieniz, em São Luiz Gonzaga. Enquanto no verão a soja domina os 700 hectares da área, nos últimos anos o trigo ganhou mais espaço graças aos bons preços. Embalado pela produtividade, que chegou a 75 sacas por hectare, contra uma média de 50 sacas por hectare no Estado, a expectativa de Pieniz para o ciclo 2014/2015 é fazer a lavoura dourada avançar para 380 hectares, aumento de 10% em relação à safra passada.
Se o preço e boa produtividade se mantiverem em alta, o agricultor cogita até a possibilidade de diminuir a área hoje destinada a pastagens, cerca de 50 hectares.
– Vi que o trigo está remunerador neste momento. E ajuda a gente a colher mais no verão. A palha que o trigo deixa no inverno auxilia na adubação do solo – afirma o produtor.

EFEITOS NA LAVOURA

Clima e solo impactam cultura

– Há projeção de ocorrência de El Niño. Na prática, isso determina mais volume de chuva e menos geadas – principal problema para o trigo – especialmente na colheita.

– Há dois anos, esse fenômeno foi a maior causa da queda na produção do cereal no Estado.

– Apesar do prazo curto até o início do cultivo, que normalmente ocorre na segunda quinzena de maio, Ataídes Jacobsen, da Emater, recomenda cuidado com a fertilização da área e a escolha adequada das cultivares.

MULTIMÍDIA

 

Fonte: Zero Hora

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