Grandes máquinas movimentam mercado de pneus

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Segundo fabricantes, os pneus radiais agrícolas duram mais e geram economia

O crescimento das vendas domésticas de máquinas agrícolas, sobretudo as de maior potência, criou um mercado promissor para os chamados "pneus radiais agrícolas", cuja estrutura é mais adequada para suportar esses equipamentos de grande porte do que os convencionais.

Isso é possível porque os fios da carcaça do pneu radial são distribuídos em arcos perpendiculares ao solo e orientados ao centro do pneu, com estabilidade garantida por uma cinta de aço localizada sob a banda de rodagem. A tecnologia reduz deformações e, além de permitir que o pneu suporte cargas maiores, promete desgaste mais lento e economia de combustível.

Tais características talvez não sejam suficientes para levar os agricultores a um borracheiro para trocar os pneus de seus tratores, colheitadeiras ou pulverizadores usados. Mas fazem dos radiais, mais caros que os pneus convencionais, um componente cada vez mais comum nas grandes máquinas novas adquiridas em ritmo atualmente acelerado no mercado brasileiro, em um processo de substituição que já foi praticamente concluído nos Estados Unidos, por exemplo.

Com isso, indicam as estatísticas mais recentes da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), a produção de pneus radiais no país já alcançou 31 mil unidades entre os meses de janeiro e outubro deste ano, com um expressivo incremento de 138,5% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.

A Anip não tem dados específicos sobre as vendas do produto, mas informa que, no total, a comercialização de pneus agrícolas (convencionais e radiais) aumentou 17,6% na comparação, para 823,8 mil unidades. Também destaca que as áreas agrícola e de cargas puxaram o crescimento de 9,1% da produção total de pneus no Brasil, que chegou a 57,6 milhões de unidades nos dez primeiros meses de 2013, quando as vendas atingiram 60,9 milhões.

As vendas de pneus radiais, que até recentemente eram alimentadas apenas com importações, aceleraram de dois anos para cá. Não por coincidência quando a comercialização de máquinas agrícolas maiores e mais sofisticadas também deslancharam no Brasil, como lembra Marcos Aoki, diretor comercial da divisão de pneus comerciais da multinacional japonesa Bridgestone.

A companhia, que comercializa radiais agrícolas com a marca Firestone, informa que detém cerca de 25% de participação nesse mercado no país. A empresa anunciou recentemente um investimento superior a US$ 14 milhões em sua unidade em Santo André (SP) para dobrar a capacidade de produção para 60 unidades por dia até 2015. A produção de radiais na unidade do ABC paulista começou em 2012.

De acordo com Aoki, a vida útil de um radial agrícola chega a ser 50% maior que a de um pneu convencional. Assim, a reposição do produto é feita, em média, a cada dois ou três anos, a depender do nível de utilização da máquina. A ampliação da produção coroa o melhor ano para as vendas de radiais agrícolas da Bridgestone.

A americana Titan, por sua vez, estima que suas vendas de radiais agrícolas serão multiplicadas por seis em 2013 e deverão aumentar mais 5% em 2014. Mas a companhia não revela o número de unidades que já vendeu este ano nem a projeção para o ano que vem. Segundo Luiz Antonio Marthe, diretor de vendas e marketing da Titan Pneus na América Latina, o segmento agrícola como um todo deverá registrar vendas 35% maiores neste ano e representará 75% do faturamento da companhia no país, estimado em R$ 950 milhões.

Conforme Marthe, os radiais – que também são um pouco mais largos que os pneus convencionais e têm maior poder de tração -, podem reduzir em cerca de 5% o consumo de combustível de uma máquina. Algumas montadoras também começaram a utilizar pneus radiais em equipamentos de potência média, o que pode levar a uma expansão significativa do mercado.

Nos próximos doze meses, a Titan planeja investir R$ 35 milhões para ampliar em cerca de 10% sua capacidade de produção de radiais e otimizar o processo.

A italiana Pirelli também pretende destinar 10% dos investimentos totais, da ordem de R$ 1 bilhão, que promete para a América Latina até 2017 para aumentar em 30% sua produção de pneus agrícolas – e mais do que triplicar a de radiais – na região, de acordo com Gianfranco Sgro, diretor-geral de operações da Pirelli para a América do Sul. A maior parte dos aportes será no Brasil.

A Pirelli fabrica radiais agrícolas no país desde 2009. O segmento de pneus agrícolas e para caminhões representa 43% do faturamento da companhia na América Latina.

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Fonte: Valor | Por Carine Ferreira | De São Paulo

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