Grande produtor renova aposta no algodão

Depois de reduzirem em 36% a área plantada com algodão na safra 2012/13, os maiores produtores brasileiros planejam recuperar uma parte dessa queda em 2013/14. O maior pessimismo com os preços dos grãos estão na base dessa decisão, que também leva em conta que a rentabilidade da pluma não está nada mal, apesar de os preços estarem em patamares bem distantes do recorde de US$ 2 por libra-peso, alcançado no primeiro trimestre de 2011. A Abrapa, associação que representa os produtores da pluma no Brasil, já estima um cultivo de 25% a 30% maior em 2013/14.

Maior produtor de grãos e fibras do país, o grupo Bom Futuro, do empresário rural Eraí Maggi Scheffer, pretende elevar em 28,5%, de 70 mil para 90 mil hectares, o cultivo da pluma na temporada 2013/14. Como tem 100% de sua área no Estado de Mato Grosso, o grupo deixa para plantar quase todo o algodão na segunda safra, a partir de janeiro, depois da colheita da soja. Na chamada "safrinha", a cultura disputa área com o milho, e tem seu custo fixo reduzido à metade, pois o ônus é dividido com a soja.

Na safra 2013/14, a área plantada total do grupo Bom Futuro deve crescer 9,75%, para 450 mil hectares. A lavoura de soja cresce 20 mil hectares para 240 mil hectares e a de algodão outros 20 mil hectares. O empresário ainda considera repetir a área de 100 mil hectares de milho. "Essa projeção leva em conta o momento atual de preços. No entanto, até o início do plantio da segunda safra, a partir de janeiro de 2014, o cenário pode mudar", diz Scheffer.

Ele define a rentabilidade do algodão como "regular", no entanto, reconhece que está melhor que a do milho. O custo médio de produção da pluma da Bom futuro é de cerca de 75 centavos de dólar por libra-peso. Na sexta-feira, a commodity encerrou o pregão na bolsa de Nova York com valorização de 61 pontos, a 86,20 centavos de dólar por libra-peso (outubro).

Apesar de estarem longe das cotações recordes alcançadas há dois anos, os preços do algodão ainda trazem uma boa rentabilidade, diz o diretor-presidente da SLC Agrícola, Aurelio Pavinato. O custo de produção da pluma da companhia, uma das maiores produtoras de grãos e fibras do país, é de 70 centavos de dólar por hectare. Na avaliação do executivo, os preços não tendem a recuar, mesmo diante dos números aparentemente baixistas divulgados na última semana pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

O órgão americano previu que em 2013/14, os estoques finais da pluma no mundo vão crescer 9,4%, apesar de uma produção mundial 2,6% menor. A estimativa de estoques maiores é resultado de uma projeção de exportações menores. "Mas as vendas retraídas ao exterior serão reflexo da queda da produção nos países, que terão menor volume para exportar. Será o caso, por exemplo, do Brasil", diz Pavinato.

Outra tese sustenta o otimismo do presidente da SLC Agrícola com a pluma. Ele aposta que as cotações não devem recuar abaixo de 75 centavos de dólar por libra-peso. Caso contrário, o produto ficará mais competitivo em relação à fibra sintética, que tem custos entre 75 centavos e 80 centavos de dólar por libra-peso. "Isso provocaria um aumento muito grande no consumo da pluma", avalia Pavinato.

Confiante de que o piso do mercado é de 75 centavos, a companhia pretende neste ciclo 2013/14 cultivar uma área 10% maior de algodão, o que significará cerca de 85 mil hectares plantados, ante os 76,5 mil do ciclo 2012/13. O avanço, segundo Pavinato, está em linha com a projeção da empresa de plantar, no total, uma área 10% maior neste ciclo 2013/14. Também deve haver aumento no cultivo de soja e redução no de milho, segundo executivo, sem especificar percentuais.

A Vanguarda Agro também renovou suas apostas no algodão. A companhia pretende cultivar 40 mil hectares da pluma em 2013/14. No ciclo passado, cultivou apenas 12 mil hectares, o que representou uma queda de 73% em relação à temporada 2011/12. Em compensação, a Vanguarda reduzirá em 3,1% a área plantada com milho e em 17% a lavoura com soja. (Colaborou Gerson Freitas Jr.)

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo

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