GranBio quer acelerar desenvolvimento de variedades

Ana Paula Paiva/Valor

Gradin: meta é obter reconhecimento oficial de até quatro variedades por ano

Com duas variedades de cana energia protegidas por registros no Ministério da Agricultura até o momento, a GranBio está focada agora na pesquisa em biologia molecular para acelerar o desenvolvimento de novas variedades. Conforme Bernardo Gradin, presidente da companhia, o objetivo é obter o reconhecimento oficial de três a quatro novas variedades por ano nos próximos anos.

Para realizar as pesquisas, a companhia importou 400 genomas de cana convencional de um banco de germoplasma nos Estados Unidos. Sua subsidiária de biotecnologia, a GranCelere, sediada em Campinas, mapeou os genomas de cada variedade e está aplicando análise de "big data" (grandes volumes de dados) para otimizar os cruzamentos de genes.

Nos últimos cinco anos, a GranBio já investiu R$ 25 milhões em pesquisas sobre cana energia, e a perspectiva para os próximos anos é manter esse ritmo de investimentos, a depender da demanda. "Nossa diferença é que, além da hibridação natural, temos um trabalho genômico. Estudamos os genes que fazem [a planta] crescer mais rápido ou como inserir características para aumentar a eficiência. Com isso vamos dar um grande salto de produtividade", afirma Gradin.

Por meio do cruzamento de espécies ancestrais que tiveram seu genoma mapeado, a companhia está desenvolvendo diferentes variedades adaptadas a clima e solo de cada região em que atua e também com maior capacidade para produzir mais açúcar ou mais palha, por exemplo.

Já há variedades que estão sendo testadas em dez regiões de atuação da GranBio no país, e para este ano a companhia espera obter o registro de mais três ou quatro variedades além das que já possui.

Segundo Gradin, a empresa poderia lançar uma variedade transgênica de cana energia já no próximo ano, mas, como ainda é necessária a fase de testes, não há previsão para o lançamento.

A meta é que, daqui cinco anos, as novas variedades de cana energia da GranBio estejam produzindo 3,5 vezes mais biomassa do que a cana convencional. Atualmente, as variedades registradas da companhia produzem cerca de 2 vezes mais biomassa.

 

Por Camila Souza Ramos | De São Paulo

Fonte : Valor

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