GranBio paralisa usina em Alagoas

A GranBio, holding da família Gradin, paralisará temporariamente sua usina de etanol celulósico em Alagoas, a Bioflex. A empresa informou que a parada, que deverá durar até outubro, permitirá uma avaliação de outras tecnologias que podem ser empregadas na etapa de pré-tratamento da matéria-prima – a palha da cana, usada na produção do etanol de segunda geração.

Essa etapa é uma das principais do processo. Nela, a estrutura da biomassa é preparada para que, na etapa seguinte, as enzimas possam "quebrar" os açúcares contidos dentro da celulose da biomassa em açúcares mais simples de serem fermentados e convertidos em etanol. Segundo Allan Hiltner, vice-presidente de Negócios da GranBio, a companhia ainda não conseguiu manter a planta operando continuamente durante essa fase de pré-tratamento.

"Os desafios tecnológicos se mostraram maiores do que os esperados originalmente, mas a empresa mantém a confiança de que reverterá essa situação o mais rapidamente possível". A GranBio espera que a fábrica volte a operar em outubro com cerca de 50% da capacidade. A empresa quer atingir "zero" de ociosidade até o fim de 2017.

A Bioflex, localizada no município alagoano de São Miguel dos Campos, entrou em operação em setembro de 2014, com capacidade para fabricar 82 milhões de litros de etanol celulósico por ano. Em 2015, no entanto, produziu apenas 4 milhões de litros. Uma série de ajustes tecnológicos vem sendo feita desde que a fábrica deu a partida. Entre eles, a redução do nível de impurezas minerais que eram trazidas do campo juntamente com a matéria-prima (palha) – que caiu de 8%, no início do projeto, para atuais 2%. O excesso de "areia" que entrava na fábrica foi um problema sério no passado, à medida que danificava as estruturas metálicas da usina, tais como válvulas, bombas e tubulações.

Além da Bioflex, da GranBio, há uma outra unidade de etanol celulósico em operação no país, da Raízen Energia, instalada na usina Costa Pinto, em Piracicaba (SP). Fora do Brasil, os projetos também estão enfrentando gargalos tecnológicos para operar em grande escala, conforme fontes do mercado.

Mais do que um novo processo de fabricação de biocombustíveis, a tecnologia do etanol celulósico é considerada por especialistas como uma das maiores inovações do setor de agronegócios das últimas duas décadas, já que permite ampliar a produção do biocombustível com "resíduos" agrícolas – bagaço e palha de cana, palha de milho, entre outros.

Antes de dar partida na fábrica, em setembro de 2014, a GranBio também enfrentou alguns percalços, que resultaram no atraso de cerca de seis meses na inauguração da planta, a primeira de etanol celulósico a operar no mundo. À época, a empresa informou que os investimentos na empreitada haviam superado em 35% o valor projetado e alcançado US$ 265 milhões – US$ 190 milhões na usina e US$ 75 milhões em uma planta de cogeração no mesmo complexo.

O BNDES é o grande parceiro financeiro da GranBio no projeto – financiamento de R$ 300 milhões e aquisição de 15% no projeto, por R$ 600 milhões, via seu braço de participações, a BNDESPar. O projeto todo da GranBio prevê investimentos de R$ 4 bilhões na construção quatro usinas de etanol de segunda geração, duas unidades bioquímicas e duas biorrefinarias flexíveis.

Por Fabiana Batista | De São Paulo
Fonte : Valor

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