Governo zera imposto de importação de trigo

Para garantir o abastecimento de trigo no mercado interno e segurar a inflação, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidiu zerar a alíquota de importação do produto comprado de países que não fazem parte do Mercosul, hoje de 10%. A medida vai vigorar até 15 de agosto.

A importação de trigo com tarifa zero será limitada a um milhão de toneladas. Essa quantidade, na avaliação do conselho de ministros da Camex, poderá suprir o consumo doméstico brasileiro no período de entressafra nos países do Mercosul.

Trata-se de uma tentativa de evitar alta excessiva nos preços do produto para os moinhos brasileiros, diante das dificuldades da Argentina – tradicional fornecedor brasileiro – em atender à demanda. Em 2013, o governo baixou o imposto para uma cota de mais de 3 milhões de toneladas de trigo de fora do Mercosul. Os principais fornecedores foram Estados Unidos, Canadá, Rússia e Ucrânia.

– A medida demorou um pouco – comentou o presidente da Abitrigo, Sérgio Amaral.

Segundo Amaral, alguns moinhos acabaram importando trigo mais caro, com alíquota de 10%. Com isso, não há como evitar o repasse para os preços nesses casos específicos.

Claudio Zanão, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Massas (Abima), diz que a medida é positiva, mas mesmo sem a tarifa, o trigo de fora do Mercosul chega aqui mais caro por causa do frete.

-Pelo menos se evita aumentos maiores nos preços. No custo de macarrão, por exemplo, 70% é farinha de trigo. Então, por mais que não queira, o empresário tem que repassar a alta para os preços. Ano passado, o faturamento do setor cresceu 11,5%, mas o volume de vendas aumentou só 1,5%. A diferença foi repasse aos preços.

Tarifa menor para 250 itens

Zanão acredita que governo desonerou um milhão de toneladas para esperar a entrada da safra brasileira e decidir se libera mais. Amaral acrescentou que a safra brasileira de trigo começa a ser colhida em setembro. A previsão são sete milhões de toneladas, para um consumo total em torno de 10 milhões de toneladas.

A Camex também decidiu reduzir, de 14% para 2%, as tarifas de importação de 250 bens de capital, bens de informática e telecomunicação sem fabricação no Brasil.

Fonte: Eliane Oliveira, O Globo

Fonte: CNA

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