Governo quer usar arroz em ração animal

Fonte:  Valor | João Villaverde | De Brasília

Políticas: Novo programa público de apoio está perto de sair do papel

José Cruz/ABR

"Poderíamos reduzir, em uma só tacada, a elevação dos preços do milho e o custo de aves e suínos", diz Bittencourt

A instituição do arroz como substituto do milho como ração animal está próxima de sair do papel. Na noite de terça-feira, uma conversa entre Gilson Bittencourt, secretário-adjunto de política agrícola do Ministério da Fazenda, e Gilmar Tietböhl Rodrigues, secretário de agricultura do Rio Grande do Sul, definiu o penúltimo passo para o início de um programa público de incentivo à utilização do arroz como ração animal – uma reunião entre os dois, na semana que vem em Brasília, com a participação do Ministério da Agricultura, pode finalizar o programa. Rodrigues apresentará a integrantes do governo federal o resultado das pesquisas realizadas pelo Instituto Rio-grandense do Arroz (Irga), que compara o potencial nutritivo do arroz ao do milho, cujos preços, em patamares elevados, estão encarecendo a produção de suínos e aves.

Segundo apurou o Valor, o governo federal aposta que a substituição terá efeitos anti-inflacionários, além de promover a recuperação dos preços do arroz, que tem inflamado os produtores. Enquanto o governo define como R$ 25,80 o preço mínimo da saca do arroz, o preço efetivamente praticado pelo mercado ronda os R$ 19,50 a saca. De acordo com estimativas de técnicos do governo a par das negociações com o Irga e com o governo gaúcho, é possível utilizar pouco mais de 2 milhões de toneladas de arroz para suprir a alimentação de suínos e aves.

"Poderíamos reduzir, em uma tacada", diz Bittencourt, "a elevação nos preços do milho, e, por efeito em cascata, também o custo de produção de suínos e aves, que passariam a consumir ração mais barata e igualmente nutritiva". Em elevação devido à forte demanda internacional, os preços do milho foram considerados como "quase restritivos" por integrantes da área agrícola do governo federal. Além da demanda, o milho é também fortemente subsidiado pelo governo americano, que utiliza o grão para produzir etanol.

Um dos obstáculos à substituição parcial do milho pelo arroz na ração animal – a viabilidade econômica do processo – foi "superado", disse Rodrigues a Bittencourt, na conversa de anteontem à noite. Na reunião que será realizada na próxima semana, a secretaria de agricultura do Rio Grande do Sul deve mostrar aos técnicos do governo federal um esquema para organizar o recolhimento do ICMS de forma a compensar as diferenças tributárias entre os produtores de arroz e os de suínos e aves, que serão os principais compradores do cereal.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *