Governo quer destravar crédito para o setor fumageiro

 Felix Zucco/Agência RBS/Folhapress

Produção de fumo no Rio Grande do Sul: resolução do CMN pode elevar custos

Pressionado pelos produtores de fumo do Rio Grande do Sul, o governo federal já se mobiliza para cancelar uma resolução recente do Conselho Monetário Nacional (CMN) que dificultou o acesso do segmento fumageiro a linhas de financiamento do Pronaf, voltadas a agricultores familiares. Alvo de crítica, a resolução editada em maio passado pelo CMN pode elevar os custos de produção do segmento e inviabilizar o acesso a esses financiamentos, de acordo com os fumicultores.

Ao Valor, o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller, afirmou que o CMN vai deliberar sobre a revogação da resolução em sua próxima reunião, que ocorre dia 28.

A resolução foi editada em 3 de maio, ainda no governo da presidente afastada Dilma Rousseff, com o intuito de desestimular o plantio exclusivo de fumo por parte dos agricultores gaúchos.

Antes dessa norma, os agricultores já precisavam comprovar que ao menos 20% de sua receita bruta total provinha de outras culturas se quisessem tomar um financiamento pelo Pronaf para adquirir um trator, por exemplo. Com a Resolução 4.483, de 3 de maio, no entanto, esse percentual aumentou para 30% na atual safra (2016/17), e terá que subir para 50% na temporada 2018/19.

Na avaliação do secretário especial de Agricultura Familiar, José Ricardo Roseno, a resolução é "dura demais" e, se não for revogada, metade dos 160 mil produtores de fumo do país deixariam de acessar o Pronaf para financiar o cultivo de outras atividades.

"Não consigo enxergar qual o objetivo dessa medida. Na prática, você dificulta o produtor de diversificar sua atividade. Quanto mais renda ele precisa comprometer com outra atividade, mais dependente da cultura do fumo ele vai ficar", criticou Roseno.

O Brasil é o maior exportador e o segundo maior produtor de tabaco do mundo. Conforme o SindiTabaco, sindicato da indústria fumageira, o segmento gera US$ 2,2 bilhões por ano nas exportações. A receita total da área no país é de R$ 5 bilhões por ano, de acordo com a entidade.

Por Cristiano Zaia | De Brasília

Fonte : Valor

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