Governo gaúcho faz bloqueio aéreo, naval e terrestre

O planejamento e a execução do esquema de segurança para o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), amanhã, vai mobilizar um contingente de 2 mil a 4 mil pessoas, disse ontem o secretário de Segurança do Rio Grande do Sul, Cezar Schirmer.

Conforme o secretário, haverá bloqueio do perímetro em torno do TRF-4, assim como da orla do lago Guaíba nas proximidades e do espaço aéreo sobre o local. Além do policiamento terrestre, a operação envolverá embarcações da Brigada Militar (BM), helicópteros da BM, da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Polícia Civil e drones da Secretaria de Segurança e da PRF. As aeronaves captarão imagens para identificar os responsáveis por tumultos durante as manifestações e serão colocados atiradores de elite no alto de prédios próximos com a função principal de "observar e filmar", disse o secretário.

Segundo ele, mais de 23 instituições federais, estaduais e municipais participam da operação, incluindo Brigada Militar, Polícia Federal (PF), PRF, Guarda Municipal, Corpo de Bombeiros e órgãos de fiscalização de trânsito reunidos em um gabinete de gestão integrada criado dia 3 deste mês.

De acordo com Schirmer, não será permitida a ação de mascarados durante as manifestações. Os próprios organizadores das atividades pró-Lula já haviam informado que vão abordar eventuais mascarados e pedir que retirem as máscaras. Em caso de resistência, a polícia será chamada. "Eles [a Frente Brasil Popular] nos chamam e vamos recolher", afirmou o secretário. Ele afirmou que as forças de segurança estarão preparadas para identificar "qualquer um que fizer manifestação que contrarie a legislação" e que não foram identificadas ameaças concretas ao Tribunal, apenas "excessos de linguagem nas redes sociais".

No dia do julgamento, os três desembargadores da 8ª Turma do TRF-4, que vão julgar a apelação de Lula contra a condenação imposta a ele pelo juiz Sergio Moro, de Curitiba, no ano passado, serão escoltados pela PRF nos deslocamentos. Se for necessário, eles serão transportados de helicóptero. O prédio do Tribunal será guarnecido pela segurança do próprio Judiciário, pela PF e pela PRF.

O plano se segurança inclui o bloqueio total, pela BM, do perímetro em torno do TRF-4 a partir das 17h de hoje. A região é formada pelas ruas e avenidas Augusto de Carvalho, Loureiro da Silva e Edvaldo Pereira Paiva, no centro da cidade. Desde as 12h, no entanto, o trânsito já será bloqueado na Edvaldo Pereira Paiva, na margem do lago Guaíba. Amanhã, o bloqueio se estenderá até parte da avenida Mauá, após a Edvaldo Pereira Paiva, em direção ao centro da cidade, a partir da meia noite, e desde as 5h da manhã haverá um desvio já no início da avenida Mauá, na entrada da cidade.

Com o bloqueio, apenas pessoal credenciado pelo TRF-4 poderá acessar o perímetro isolado, incluindo jornalistas e equipes de veículos de comunicação. O acampamento organizado pela Frente Brasil Popular para concentrar os manifestantes a favor da absolvição de Lula ficará no anfiteatro Pôr do Sol, um espaço ao ar livre onde geralmente são realizados shows musicais. O local, onde haverá a vigília dos apoiadores do ex-presidente durante o dia do julgamento, fica a um quilômetro do Tribunal. O ex-presidente acompanhará o julgamento de São Paulo. Ele estará em Porto Alegre, na véspera, por algumas horas, em um ato na "Esquina Democrática".

O comandante geral da Brigada Militar, Andreis Dall Lago, explicou que o policiamento vai atuar "antes, durante e depois do julgamento", inclusive para garantir a dispersão organizada dos participantes do acampamento. Os prédios públicos federais nas proximidades do TRF-4 não terão expediente a partir das 12h de hoje e serão protegidos por soldados da Força Nacional de Segurança até sexta-feira.

Os opositores de Lula pretendem fazer uma comemoração a partir das 18h de amanhã, caso a condenação de Lula seja mantida. Organizado pelo Movimento Brasil Livre (MBL), o "CarnaLula" será no parque Moinhos de Vento, a 4,4 quilômetros do TRF-4.

Por Sérgio Ruck Bueno | Para o Valor, de Porto Alegre

Fonte : Valor

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