Governo fará leilões de estoques de milho da Conab

Diante da recente escalada dos preços do milho no mercado doméstico, o Ministério da Agricultura decidiu realizar leilões para vender estoques públicos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e tentar amenizar a pressão do cereal sobre os custos de produção de criadores de aves e suínos. O milho representa cerca de 70% desses custos.

Os leilões de milho serão voltados para criadores e agroindústrias de aves e suínos em Estados como Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo, que concentram grande parte da atividade. O ministério ainda não definiu os volumes de milho a serem ofertados. O estoque atual nos silos da Conab chega a 1,3 milhão de toneladas.

"Vamos remanejar milho para os Estados consumidores. As agroindústrias e os criadores integrados estão assustados porque a seca na Argentina elevou o preço do milho no Brasil, mas não tem nada de anormal", disse ao Valor o secretário de Política Agrícola do Ministério, Neri Geller. "A ideia é liberar esses estoques aos poucos."

Segundo Geller, a Conab também venderá milho no mercado de balcão para atender principalmente pequenos criadores de aves e suínos das regiões Sul e Nordeste. Nesse sentido, o ministério estuda ampliar de 10 para 17 toneladas o limite que cada produtor poderá comprar por meio desse sistema.

Nesse contexto, Geller defendeu, ainda, que as indústrias façam mais operações no mercado futuro para se protegerem das oscilações das cotações do milho. "O milho é uma commodity que já se consolidou, e não é porque o Brasil tem uma supersafra que o preço vai ficar tão baixo. Sofremos com oscilações internacionais. A indústria tem que entrar no mercado e se garantir também", disse ele.

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) comemorou as medidas de apoio, mas ponderou que o alívio será pontual. E reclamou que os produtores vêm sofrendo com o fechamento do mercado russo para as exportações brasileiras de carne suína e a consequente queda de preço do suíno vivo ao produtor.

"Com essas medidas, pelo menos diminui a pressão sobre nossos custos", disse Marcelo Lopes, presidente da entidade, que também criticou a Operação Trapaça, mais nova fase da Carne Fraca, que atingiu em cheio a BRF mas também deixou assustados produtores que são fornecedores da companhia. "A crise da BRF também prejudica a pecuária do país inteiro".

Por Cristiano Zaia | De Brasília

Fonte : Valor

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