Governo está chegando ao “consenso possível” em relação às mudanças no Código Florestal, diz Rossi

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, disse hoje (7) que o governo está chegando ao “consenso possível” em relação às mudanças no Código Florestal Brasileiro. Segundo ele, a presidenta Dilma Rousseff se reunirá com os ministros envolvidos no assunto na próxima quinta-feira (14), após sua viagem à China, na qual Rossi a acompanhará.

“Estamos muito próximos a um consenso possível e outros pontos terão que ir a voto”, afirmou. Ontem (6) pela manhã, houve uma reunião do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, com Rossi e os ministros do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence, para afinar a posição do governo sobre as mudanças no código previstas no relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP).

Após o encontro, a ministra Izabella disse que o governo continua “em processo de diálogo”. “Estamos discutindo para chegar a uma proposta que dê segurança jurídica a todos. Estamos discutindo dentro do governo e com o Congresso Nacional medidas de aprimoramento do texto [do relator]. Estamos trabalhando para chegar à melhor proposta possível”, disse a ministra.

Na próxima semana

O governo vai voltar a discutir na próxima quinta-feira (14) a reforma do Código Florestal Brasileiro. A informação foi dada pelo ministro Wagner Rossi (Agricultura).

O tema foi discutido ontem em uma reunião no Palácio do Planalto, que teve a presença de Wagner Rossi, Antonio Palocci (Casa Civil), Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário). Segundo Rossi, o balanço da reunião foi positivo.

“Houve um avanço muito grande. Acho que estamos muito próximos de um consenso possível. Claro que algumas questões pontuais terão de ir a voto. Cabe ao Congresso Nacional decidi-las”, explicou.

Perguntado se Palocci concorda com a votação do Código já na próxima semana, o ministro disse que isso não entrou em discussão. “Foi marcada uma nova reunião sobre pontos que foram levantados e para as quais cada um de nós vai buscar novos argumentos e informações. Isso para que possamos fechar os últimos pontos sobre os quais ainda há alguma divergência”, disse.

Editoria de Arte/Folhapress

Protesto

Na manhã de hoje ocorreu em Brasília um protesto com cerca de 30 organizações para pedir mudanças na proposta de Código Florestal em tramitação no Congresso. Um abaixo-assinado com mais de 100 mil assinaturas, segundo as organizações, foi entregue ao presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS).

Os grupos defendem propostas como tratamento diferenciado para a agricultura familiar, fim da anistia para desmatamentos feitos em áreas de preservação permanente até 2008 e redução no uso de agrotóxicos.

Na terça-feira, a CNA (Confederação Nacional da Agricultura) reuniu produtores rurais em Brasília para pedir a aprovação da proposta já apresentada pelo deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP).

Presidente da Câmara cobra governo sobre Código Florestal

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), cobrou nesta quinta-feira uma definição do governo sobre o Código Florestal. Ele disse que, sem isso, fica difícil os deputados votarem o projeto, relatado pelo deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP).

“Precisamos que os ministros entrem em consenso. Se em um assunto como a revisão do Tratado de Itaipu, em que havia unidade na base, tivemos que ficar até tarde discutindo, imagina no caso do Código Florestal”, disse.

A divergência no governo acontece principalmente entre os ministros da Agricultura, Wagner Rossi, e do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. O primeiro apoia o texto de Rebelo e quer votá-lo imediatamente. Já Izabella tenta mudar o relatório.

Maia reafirmou hoje que a proposta só vai ao Plenário após a comissão especial que analisa o assunto ser finalizada. Antes do final da semana que vem isso não deve acontecer.

O presidente da Câmara deu essa declaração após se reunir com representantes da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul. Nesta quinta-feira, entidades de ambientalistas também fizeram manifestações em Brasília.

“A sociedade brasileira exige do Congresso e da presidente que este relatório nefasto não seja aprovado, e que em seu lugar seja colocado um texto que interessa a todos os brasileiros, ou seja, que não diminua a proteção de áreas ambientalmente importantes, mas que crie condições para que elas sejam efetivamente protegidas”, afirma documento entregue para o presidente da Câmara.

O Estado de São Paulo / Folha de São Paulo

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