Governo e empresas se unem para preservar

Na década de 1950, o grupo Votorantim começou a comprar florestas no Vale do Ribeira, em São Paulo, antevendo uma preocupação hoje vital para o negócio: proteger a água que move sete hidrelétricas responsáveis pelo abastecimento energético da sua fábrica de alumínio na região. Com o passar do tempo, manter intocados 35 mil hectares ao longo do rio Juquiá tornou-se difícil e custoso.

Em vez de doar a área para a criação de um parque público, sem a certeza da conservação no futuro, a empresa articulou uma parceria com o governo na lógica do "ganha-ganha". Pelo acordo, a ser assinado dia 5 de junho, o lugar passará a ser protegido pelo sistema estadual de vigilância por imagens de satélite, em troca da manutenção da reserva, projetos de geração de renda e pesquisas científicas desenvolvidas com recursos privados.

Assim o grupo empresarial torna viável o controle necessário contra o desmatamento que coloca em risco a água das hidrelétricas e o governo tem a garantia de manter conservada uma floresta valiosa para interligar áreas verdes e formar um grande corredor de biodiversidade unindo os parques estaduais do Jurupá e Carlos Botelho ao da Serra do Mar, mais ao norte.

Previsto no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), o conceito de corredores de biodiversidade vai além de criar espaço para o trânsito e o fluxo genético da fauna. O modelo estabelece o ordenamento do território para o uso sustentável, geração de negócios e participação da comunidade.

Com recursos externos, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) reforçou a estrutura dos governos estaduais para tornar realidade dois corredores biológicos na Mata Atlântica e na Amazônia, mas os resultados práticos não foram medidos. O projeto se arrasta desde a década de 1990 e está previsto para terminar no próximo ano, após a injeção de € 16 milhões do governo alemão. "Os avanços dependem das flutuações políticas", diz Sérgio Collaço, analista do Programa de Áreas Protegidas do MMA.

As principais iniciativas estão a cargo de empresas e ONGs. "Uma preocupação é implementar áreas protegidas para que saiam do papel ", revela Alexandre Brasil, da Conservação Internacional, entidade que coordena o Corredor de Biodiversidade do Amapá, com apoio do Instituto Walmart. Com 70% do território coberto por reservas, o Estado tem o desafio de aliar conservação e desenvolvimento econômico como estratégia de blindagem contra a destruição florestal que avança no Pará com risco de cruzar a divisa.

No Cerrado, a Fundação Grupo Boticário mantém uma reserva particular de 10 mil hectares para conectar a Serra do Tombador ao Parque Nacional Chapada dos Veadeiros, em Goiás. A área, adquirida por R$ 2,4 milhões com apoio da TNC, compõe um mosaico prioritário para conservação, onde existem 6 mil espécies de plantas, 295 de aves e 45 de mamíferos. (SA)

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Fonte: Valor | Por De São Paulo

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