Governo do RS determina retirada de mais três marcas do varejo

A Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul determinou ontem a retirada do mercado das marcas de leite UHT Hollmann, Goolac e Só Milk, envasadas pela indústria VRS, do município de Estrela, fechada quarta-feira na operação "Leite Compen$ado", liderada pelo Ministério da Agricultura e pelo Ministério Público Estadual (MPE) para desmontar um esquema de adulteração de leite cru com água, ureia e formol. A medida foi tomada para "resguardar a saúde do consumidor".

A secretaria também determinou a retirada de novos lotes do leite Latvida, da própria VRS. Na quarta feira, o MPE já havia interditado a venda de um lote da marca, fabricado no dia 16 de fevereiro e com validade até 16 de junho próximo, além de outros oito lotes das marcas Líder (da LBR Lácteos Brasil), Mu-Mu (Vonpar) e Italac, que foram produzidos com matéria-prima adulterada pelos fraudadores.

De acordo com o MPE e o Ministério da Agricultura, a fraude era praticada por cinco transportadoras que adicionavam água e ureia com formol para aumentar o volume do leite entregue às indústrias. Oito pessoas foram presas preventivamente na quarta-feira, mas duas foram liberadas, e três plataformas de resfriamento foram interditadas, duas delas pertencentes a transportadoras e uma à LBR. Ontem mais um empresário foi preso.

Nenhum representante da VRS foi localizado para entrevistas, mas a empresa publicou ontem uma nota em sua página na internet afirmando que uma análise de contraprova realizada em laboratório credenciado pelo ministério revelou que o lote colocado sob suspeita "não apresentava adulteração", mas, "por precaução" já havia sido retirado do mercado. A empresa afirmou ainda que já havia descredenciado transportadores de leite "identificados como fraudadores pelo Ministério Público em data anterior".

O MPE calcula que as transportadoras envolvidas na fraude, movimentaram 100 milhões de litros desde abril de 2012. Ontem, o superintendente do Ministério da Agricultura no Rio Grande do Sul, Francisco Signor, disse que as primeiras amostras de leite cru adulterado foram identificadas pelo Ministério da Agricultura em outubro do ano passado. Nas indústrias que tiveram lotes de produto UHT interditados, os problemas foram detectados nos dois primeiros meses do ano, e em fevereiro o Ministério determinou que todas as empresas passassem a realizar testes para detectar a presença de formol. Na quarta-feira, a LBR, a Mu-Mu e a Italac negaram participação nas irregularidades.

Signor admitiu que lotes de leite adulterado podem ter chegado ao consumidor no Rio Grande do Sul e em outros Estados, mas não estimou volumes. "É possível que [produto fraudado] tenha escapado", disse o superintendente, acrescentando que a tecnologia disponível permite detectar a presença de formol apenas no leite fluido e em pó, mas não nos demais derivados. Ele afirmou ainda que, em abril, o ministério realizou coletas de amostras de leite UHT de todas as indústrias sob supervisão federal no Estado e em nenhuma delas foi encontrado qualquer "indício de fraude".

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Fonte: Valor | Por Sérgio Ruck Bueno | De Porto Alegre

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