Governo do Rio Grande do Sul vai subvencionar crédito para irrigação de lavouras

Programa estadual deve começar a sair do papel com a assinatura de convênios com instituições financeiras

Caco Argemi

Foto: Caco Argemi / Palácio Piratini,Divulgação

Programa foi lançado em abril pelo governo do Rio Grande do Sul

O projeto de irrigação das lavouras gaúchas, lançado pelo governo do Rio Grande do Sul em abril deste ano, deve começar a sair do papel com a assinatura de convênios com instituições financeiras. Isso porque o Sistema de Crédito Cooperativo (Sicredi), o Banco do Brasil, o Banrisul, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e o Banco de Desenvolvimento do Estado (Badesul) já podem assinar contratos de financiamentos para a implementação dos projetos de irrigação, com a garantia da subvenção proposta pelo programa estadual "Mais Água, Mais Renda".
No caso dos projetos de irrigação, são oferecidas linhas de crédito existentes para investimentos em geral, com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), cujas taxas de juros variam de 2% a 5,5% ao ano, com prazos de 8 a 10 anos. A diferença, e o motivo para a necessidade de um convênio com o Estado para ofertar o crédito, é que o governo gaúcho vai subsidiar a primeira e a última parcela do financiamento, variando entre 50% e 100%, de acordo com o perfil do agricultor. Integrantes da agricultura familiar terão até 100% do valor devolvido pelo banco e grandes agricultores, até 50%.

O superintendente de Crédito do Sicredi, Paulo Pereira, diz que ainda não é possível estimar o montante de crédito que será demandado pelos agricultores gaúchos para a irrigação. Pereira avalia que, por enquanto, a procura tem sido tímida, pois os agricultores estão priorizando o crédito para o custeio da próxima safra 2012/2013. Ele explica o sistema de cooperativas tem maior atuação entre pequenos produtores, que tomam menos crédito para investimento.
Segundo o secretário-adjunto da Secretaria de Agricultura do Estado e responsável pelos projetos de irrigação, Cláudio Fioreze, o Estado pode subvencionar até R$ 75 milhões por ano. Considerando que o subsídio médio é de 20%, isso significa que o total financiado para irrigar as lavouras gaúchas poderá alcançar mais de R$ 1 bilhão nos próximos quatro anos. Por enquanto, são 400 projetos em andamento e apenas 70 aptos para a captação de recursos nos bancos, informou Fioreze.
O uso da irrigação nas regiões de agricultura de sequeiro ganhou maior importância depois da seca que atingiu o Estado no início deste ano, provocando quebras de até 50% da produção. A preocupação em garantir uma safra cheia faz parte do discurso do ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, que, em encontro com criadores gaúchos, destacou a necessidade de o Rio Grande do Sul buscar a autossuficiente em milho. Para o ministro, isso só pode ser garantido com irrigação das lavouras.
Custeio
Para o custeio da produção agrícola, a expectativa do Sicredi é de que, na safra 2012/2013, os agricultores financiem R$ 5,2 bilhões em comparação com R$ 4,2 bilhões do ciclo passado. O Sicredi é o terceiro maior agente financeiro da safra agrícola, atrás apenas do Banco do Brasil e do Bradesco. A vantagem, segundo Márcio Port, presidente da Sicredi Pioneira RS, é a pulverização do sistema de cooperativas, com alcance em municípios pequenos e afastados dos grandes centros.

As cooperativas de crédito oferecem atualmente uma gama completa de serviços bancários, e não apenas os financiamentos para custeio de produção, origem da maioria das cooperativas desse tipo. Ainda assim, segundo Port, "aqui no Rio Grande do Sul, a maioria dos empréstimos é para custeio da agricultura familiar, de até R$ 10 mil".

Agência Estado

Fonte: Ruralbr

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *