Governo do Pará defende linha estadual de R$ 17 bi

O governo do Pará pretende licitar no início de 2016 a primeira linha ferroviária estadual para o transporte de grãos e minérios. O projeto da Ferrovia Paraense (Fepasa) tem um traçado ambicioso de 1.550 quilômetros de extensão ligando o polo agrícola de Santana do Araguaia, no sudeste do Estado, ao porto de Vila do Conde, em Barcarena. O investimento inicial previsto é da ordem de R$ 17 bilhões.

A ideia é que seja uma concessão clássica destinada à iniciativa privada, que ficaria responsável por investimentos na implantação e operação da ferrovia por 30 anos. Ao governo estadual caberia fiscalizar e regular a atividade ferroviária.

Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia do Pará, Adnan Demachki, os estudos de viabilidade econômica, técnica e ambiental (Evetea) estão em fase de finalização e a expectativa é que a publicação do edital seja feita em até 120 dias. "O licenciamento ambiental também está em andamento e já temos sinais de interesse de três grupos".

A ferrovia partiria de Santana do Araguaia e passaria por municípios com vocações mineradora, como Marabá e Rondon do Pará, e agrícola, como Paragominas (soja) e Moju (óleo de palma). Em Marabá, um ramal ligaria a Fepasa à linha federal da Norte-Sul.

Conforme o secretário, a Fepasa não competiria pelos grãos da "Ferrogrão", concessão federal posicionada à oeste do Estado e defendidas pelas tradings (ver matéria Tradings ratificam interesse na construção da ‘Ferrogrão’). "A soja escoada pela Fepasa seria originada no Pará e no nordeste de Mato Grosso, que está mais próximo de Santana que de Sinop", diz o secretário, referindo-se ao município do cinturão da soja de Mato Grosso.

Segundo Demachki, há hoje no Estado cerca de 2 milhões de hectares já abertos (desmatados) e os dois principais polos de grãos – Paragominas e Santana do Araguaia – crescem em área plantada ao ritmo de 15% a 20% por ano. Mas sofrem com canais logísticos ineficientes e dependentes de rodovias. O trem, nesse sentido, poderia ajudar a promover a agricultura e serviria de estopim para a verticalização – um sonho antigo do Pará.

"O Estado possui uma das maiores reservas minerais do mundo e áreas propícias para a soja. Além do mais, queremos verticalizar a produção no Pará e não ser só um corredor de passagem [de carga de Mato Grosso]", afirma Demarcki.

Só soja e milho, no entanto, não fechariam a conta do investimento. Para encher os vagões, seria preciso atrair bauxita e alumina, cujos projetos foram contemplados no traçado da Fepasa. Nas contas iniciais, seriam necessárias 40 milhões de toneladas ao ano, entre minérios e grãos.

Por Bettina Barros | De São Paulo

Fonte : Valor

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