Governo decide manter Cesa apesar das dívidas

Piratini refez planos depois que obteve lucro de R$ 2,3 milhões registrado no primeiro trimestre

Oito meses depois de concluir o raio X da agonia da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) – empresa que acumula R$ 155,5 milhões em dívidas –, o governo aposta na continuidade da estatal tendo como base resultado inédito em relação aos últimos três anos: foi registrado lucro de R$ 2,3 milhões no primeiro trimestre. A projeção é de que a Cesa feche o ano com lucro de R$ 9,2 milhões.
Areação afastou do cenário, pelo menos por enquanto, a ameaça de a Cesa ser fechada ou vendida e fortaleceu um desafio encampado pela Secretaria da Agricultura.
– Só tem sentido ela ficar na mão do Estado se ajudar a pagar as dívidas que acumulou ao longo dos anos. Está demonstrado que ela tem viabilidade financeira – atesta o secretário Luiz Fernando Mainardi.
Os dados positivos foram apresentados ao governador Tarso Genro no dia 4. No pacote levado ao Piratini havia mais de uma opção para o futuro da companhia: fechamento, manutenção do atual modelo, criação de uma nova empresa pública fazendo a fusão dela com outras que prestam serviços similares ou arrendar as unidades da Cesa para o governo federal.
A decisão foi a de trabalhar para fazê-la dar lucro, o que não é fácil no contexto de uma empresa que tem todos os prédios e carros penhorados, tem prejuízo anual de R$ 30 milhões e enfrenta centenas de ações trabalhistas.
O plano envolve quatro ações. A mais rápida é garantir contrato de prestação de serviços com a Companhia Nacional de Abastecimento para que ela use mais as unidades da Cesa. A Conab tem estocados no Estado cerca de 2 milhões de toneladas de grãos, sendo que, desses, apenas 270 mil estão sob a guarda da Cesa. A outra medida é fazer melhorias na unidade de Rio Grande, que tem tido aumento de receita.
– Com as melhorias para aumentar o fluxo de embarque em navios, instalação de balança e tombador, projetamos que a receita bruta possa atingir R$ 10 milhões – explica o presidente da Cesa, Jeronimo Oliveira Junior.
A proposta mais importante, pois dela dependem os recursos para as outras ações: a venda para o governo, por R$ 15 milhões, da área da Cesa em Passo Fundo, que já está desativada.
adriana.irion@zerohora.com.br

ADRIANA IRION

Fonte: Zero Hora

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