Governo da França promete ajuda aos pecuaristas do país

François Hollande: medidas de apoio vieram em meio a uma onda de protestos
O governo francês anunciou ontem algumas medidas de apoio para tentar atenuar a crise que se abateu sobre a pecuária no país, marcada principalmente por expressivas quedas de preços nos segmentos de carnes (bovina e suína) e leite. Paris prometeu anular € 100 milhões em impostos e taxas devidas pelos produtores afetados e dar mais prazo para o pagamento de dívidas que somam € 500 milhões. O Banco Público de Investimentos, estatal, também garantirá € 500 milhões em crédito para o segmento.

Cerca de 20 mil produtores do país estão endividados, dos quais 12 mil dizem estar próximos da falência. Pecuaristas ocuparam – e muitos ainda ocupam – estradas em vários pontos do país para reivindicar apoio. Nesse contexto, o governo se comprometeu com instituições financeiras, sobretudo o Crédit Agricole, a trabalhar em um plano de reestruturação das dívidas bancárias do segmento. O presidente François Hollande teve que agir especialmente depois que os protestos na Normandia e na Bretanha aumentaram.

O setor agropecuário é uma forca política importante na França e não hesita em agir com dureza para pressionar o governo. O país continua a ser um dos destaques na produção agropecuária europeia, mas sofre com uma concorrência crescente de países como a Espanha. A França já foi superada por Alemanha e Holanda no ranking dos maiores exportadores do continente. Isso sem contar que cada vez mais consumidores têm abandonado a carne bovina por outros produtos, o que ajuda a complicar um pouco mais a vida dos pecuaristas.

Estes alegam que os preços da carne bovina caíram 13% nos últimos dois anos e que, ao mesmo tempo, seus custos subiram. Já os produtores de lácteos se dizem massacrados depois do fim das cotas de produção na União Europeia e pedem que o preço que recebem pelo leite, hoje em € 300 por tonelada, seja aumentado. E os suinocultores, finalmente, lembram que sofrem com as sanções impostas pela Rússia.

Por Assis Moreira | De Genebra

Fonte : Valor

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