Governo acumula dívida agrícola

Operações de compra de trigo da safra passada ainda não foram pagas. Quitação de Prêmio para Escoamento deve ocorrer até dezembro.

Quase um mês depois do encerramento da safra 2009/10, o governo federal ainda não conseguiu liquidar os compromissos financeiros assumidos com produtores rurais e cooperativas do Paraná. Sem dinheiro em caixa, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) suspendeu compra direta de milho e feijão do estado e ainda não sabe como vai pagar as dívidas do programa de Aquisições do Governo Federal (AGF) de trigo. Os produtores esperam pagamento de mais de R$ 300 milhões, incluindo os leilões com Prêmio para Escoamento do Produto (PEP).

A Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) reivindica a quitação de R$ 62 milhões em operações da AGF de trigo. A Conab reconhece dívida de R$ 43,5 milhões. O valor a que a Ocepar se refere incluiria lotes cuja venda ainda não foi concretizada, argumenta Lafaete Jacomel, superintendente da estatal no estado.

A Companhia admite que o orçamento limitado e a demora no repasse dos recursos pela União ao estado podem comprometer os pagamentos. “Não trabalhamos com dinheiro em caixa para esse tipo de operação e dependemos do aval de Brasília para concluir as vendas e fazer os pagamentos aos produtores”, afirma Jacomel.

A expectativa, relata o comprar rimonabant técnico da estatal Eugênio Stefanelo, é que os recursos sejam liberados nas próximas semanas. “Mas, se essa verba acabar não saindo a Conab pode ter que devolver o trigo aos produtores, assim como já está acontecendo com o feijão e o milho”, observa.

No caso do feijão, os agricultores começaram a ser chamados pela estatal para recolher o produto há dois meses. Produtores de milho devem ser notificados em breve. Segundo a Ocepar, as operações de AGF de feijão não efetivadas somam R$ 12 milhões. Nas contas da Conab, porém, são R$ 9 milhões.

No milho, o produto depositado em armazéns da companhia soma R$ 24 milhões, conforme levantamento das cooperativas. Desse total, apenas o equivalente a cerca de R$ 4 milhões devem ser de fato vendidos ao governo e o restante deve voltar ao produtor, calcula o gerente técnico econômico da organização Flávio Turra.

A Conab informa que houve mudança de estratégia no meio do caminho. “O milho precisou de apoio à comercialização e a Conab adquiriu um pouco de estoque. Mas logo em seguida resolveu optar pelo PEP em vez do AGF. Produtores e cooperativas foram comunicados da decisão e instruídos a procurar os leilões de PEP”, diz Jacomel.

O pagamento de prêmios para o escoamento de trigo concedido pela estatal a indústrias e cooperativas em leilões de PEP também estão pendentes, apesar de ainda não estarem atrasados. Conforme levantamento da Ocepar, a Conab concedeu R$ 216 milhões em subsídios através dos leilões, sendo um terço desse montante às cooperativas. O sistema ainda teria R$ 49 milhões para receber buy prescription drugs online without prescription (73% do total repassado às cooperativas).

Jacomel relata que essas operações ocorreram entre outubro de 2009 e março de 2010 e o pagamento está sendo feito dentro do prazo. “Em muitos casos ainda nem recebemos a documentação”, afirma. Sua previsão é que os pagamentos saiam até dezembro.

Desestímulo

Reclamações tomam conta de reunião técnica.

Cascavel – As reclamações em relação à política nacional para produção de trigo tomaram espaço de assuntos técnicos no encontro que reúne 200 pesquisadores e profissionais da agricultura em Cascavel nesta semana. Eles buscam alternativas para elevar a produção do cereal, mas uma série de fatores puxa o setor para outro lado.

A 4ª Reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale termina hoje, com a apresentação de 96 trabalhos de pesquisas. Elas vão compor um livro que servirá como guia para as próximas safras. As pesquisas auxiliarão no desenvolvimento da cadeia produtiva, que terá de obedecer novos padrões – da escolha da semente à classificação do produto – a partir do ano que vem.

Na contramão desses esforços, os baixos valores de mercado e a falta de políticas públicas para o setor frustram os produtores. Eles ainda aguarda o pagamento de trigo do ano passado e tentam reverter a redução do preço mínimo para a safra 2010/11. Luiz Carlos Miranda, presidente da Associação Paranaense dos Produtores de Sementes e Mudas (Apasem) diz que, apesar da ampla defesa do aumento da produção da faixa de 5 milhões para a de 7 milhões de toneladas, o governo federal não tem interesse em tornar o país autossuficiente. O consumo chega a 11 milhões de toneladas.

Para Miranda, o Brasil continuará dependendo da importação do produto de países como a Argentina. O país vizinho consegue vender trigo para o Nordeste brasileiro a preços inferiores aos necessários para cobrir os custos dos estados do Sul.

O agrônomo e pesquisador Ivan Schuster, da Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola (Coodetec), que atende 34 cooperativas brasileiras, diz que falta uma política clara de incentivo a produção. “Nós temos área suficiente para plantar e trigo e sermos autossuficientes, mas os baixos valores desestimulam o agricultor.” Ele observa que não há alternativas para o cultivo no inverno e, por menor que seja a receita, os agricultores seguem optando pelo trigo no Paraná.

O estado é responsável por metade da produção nacional. Deve atingir 3 milhões de toneladas na safra que acaba de ser semeada. Se as plantas que já chegaram à fase de florescimento não forem atingidas por geadas fortes, o Paraná tende a alcançar a média de 2,68 mil quilos por hectare – 600 quilos a mais do que no ano passado.

Fonte: Gazeta do Povo