Governo acena com medida para arrozeiro

Fonte: Zero Hora

Produtores, que realizam protesto hoje em Uruguaiana, esperam mais um dia antes da manifestação dos arrozeiros em Uruguaiana, o governo federal anunciou que os mecanismos de comercialização divulgados em março deverão sair do papel até o final da semana, mas as medidas não satisfazem todos os pedidos dos produtores. Foi prometida a autorização de R$ 360 milhões nos contratos de opção público e privado, o que estimularia a elevar o preço do grão, deprimido pela concorrência estrangeira e pelos estoques.

– Não adianta querer dar aspirina para quem está com pneumonia. É conveniente que esse anúncio saia hoje (ontem), queremos ver se vai acontecer. Nem tocaram no assunto do arroz que vem do Mercosul – afirmou Juarez Petry, um dos coordenadores do movimento Te Mexe Arrozeiro, que organiza o protesto que pretende interromper hoje a ponte internacional em Uruguaiana.

Dentre as medidas anunciadas pelo governo federal ao secretário da Agricultura, Pecuária e Agronegócio, Luiz Fernando Mainardi, ainda não divulgadas até agora, estão uma nova oferta de Prêmio de Escoamento da Produção na ordem de 1 milhão de toneladas e a formação de um mutirão de técnicos da COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB) para acelerar o credenciamento de armazéns no Rio Grande do Sul e, com isso, possibilitar a conclusão do processo de Aquisição do Governo Federal, uma dos principais mecanismos de comercialização.

– Vai amenizar, mas não resolve. Uma medida depende da outra. Nos contratos de opção pública, por exemplo, são necessários armazéns credenciados pela CONAB. Os espaços estão defasados. É necessário esse mutirão de técnicos da CONAB analisando esses locais – avaliou o presidente da Federarroz, Renato Rocha.

Nenhuma das medidas trata sobre o ingresso do grão vindo do Mercosul. Para impedir a entrada, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Uruguaiana encaminhou pedido ao Ministério Público Federal. Segundo o presidente da entidade, Olíbio de Freitas, esse arroz, mais barato, é produzido com produtos químicos proibidos no Brasil.

MARINA LOPES | Casa Zero Hora/UruguaianaO cenárioO PROBLEMA- Arroz com preço baixo, a R$ 18,92, sendo que o custo de produção varia de R$ 26 a R$ 29- Principal causa: cerca de 1 milhão de toneladas de arroz entram do Mercosul, o que, combinado com a supersafra deste ano aumenta o volume do grão e achata os preçosO EFEITO PRÁTICO- Apenas na diferença entre o preço médio da saca e o custo de produção, o prejuízo seria de R$ 1 bilhãoA SOLUÇÃO- Suspensão da entrada do arroz do Mercosul por seis meses, escoamento de 2 milhões de toneladas ao Exterior e implementação do preço- Especialistas acreditam que o limite à entrada de carros produzidos no Exterior, inclusive na Argentina, pode ser um precedente para barrar o arroz do Mercosul. Apontam a necessidade de ampliação de armazéns credenciados pela CONABpara que os mecanismos de comercialização funcionem. O governo prometeu resolver a questão com mais técnicos da CONAB para avaliar os armazéns.

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