Glencore visa crescer na América do Norte

A Glencore quer expandir suas operações agrícolas, especialmente no mercado da América do Norte, e vem sondando as tradings de grãos Viterra (Canadá) e Gavilon (EUA).

A empresa, listada em Londres e que está em meio ao processo de fusão com a mineradora Xstrata, enfrenta a concorrência de outras tradings de commodities e até de empresas de fertilizantes. Assim, terá de pagar preços elevados – pelo menos US$ 5 bilhões em cada aquisição.

Esta é a segunda investida do executivo-chefe da Glencore, Ivan Glasenberg, para comprar operações no setor nos últimos 18 meses. As negociações de fusão com a Louis Dreyfus Commodities, no início de 2011, não prosperaram.

A Glencore é a maior empresa mundial de comercialização de commodities, mas tem presença pequena na área agrícola. O quarteto "ABCD" (ADM, Bunge, Cargill e Dreyfus) são as tradings dominantes na agricultura. Uma nova geração de rivais asiáticas – Noble, Olam e Wilmar, conhecidas como "NOW" – vêm aumentando a concorrência.

Glasenberg afirmou que a Glencore é forte em agricultura em áreas da antiga União Soviética e, em menor grau, na América Latina, mas ainda não em mercados-chave como os Estados Unidos e Canadá. "Se há ativos à venda na América do Norte, acreditamos que sejam uma área de interesse", disse na época.

Mick Davis, executivo-chefe da Xstrata, também mostrou interesse em expansão na área agrícola. As duas empresas tentam se acertar para criar um grupo de US$ 90 bilhões. "Acho que é necessário aumentar a escala em qualquer negócio que se queira operar", disse Davis. "Não se deseja uma operação que não contribua com valores significativos, porque se for assim é um desperdício de tempo."

A Glencore teve um ano ruim com suas operações agrícolas em 2011, depois de perdas superiores a US$ 330 milhões no mercado de algodão, que viveu guinada de preços. O interesse da empresa em se expandir chega em meio às transformações do agronegócio na América do Norte, depois de os donos da Gavilon, comercializadora de grãos, terem colocado as operações à venda, e de a Viterra, que opera no mesmo segmento e cujas ações estão listadas em Toronto, informar ter recebido várias propostas.

É provável que Glasenberg priorize ativos como terminais e silos, em vez de comprar todas as operações de comercialização. "Não compramos ‘tradings’ porque já temos os melhores operadores. Mas quanto a ativos no setor agrícola, sim, estou muito animado", disse. Perguntado sobre a Gavilon, confirmou o interesse. "Sei que está disponível e vamos observá-la."

A Gavilon foi comprada em 2008, por US$ 2,8 bilhões, pela Ospraie Management, um fundo hedge administrado por Dwight Anderson, Soros Fund Management e a empresa de investimentos em participações General Atlantic. De acordo com informações de executivos do setor, os donos da Gavilon estariam interessados em um preço de pelo menos US$ 5 bilhões, mas várias empresas que avaliaram as operações teriam pedido um preço menor.

A Viterra, por sua vez, viu suas ações valorizaram-se 24% na sexta-feira, para o maior patamar em três anos, depois de a empresa ter recebido várias abordagens de interesse de aquisição. Executivos do setor disseram ao "Financial Times" que a Glencore é um dos nomes que teriam feito abordagens preliminares, mas destacaram que há outras empresas sondando a Viterra, como a canadense de fertilizantes Agrium.

Procuradas, Glencore, Xstrata, Viterra e Gavilon não quiseram se pronunciar sobre o assunto. Não foram encontrados representantes da Agrium para comentar as informações.

Fonte:  Valor

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