Gisele Loeblein: sobra crédito para a agricultura de baixo carbono

Entidade aponta necessidade de maior apoio técnico, identificação de áreas prioritárias e benefícios mais atrativos para os financiamentos

01/10/2014 | 22h13

Está sobrando crédito para as linhas da Agricultura de Baixo Carbono (ABC) no Brasil. Esse é o diagnóstico do Observatório ABC, iniciativa coordenada pelo Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas, que faz um monitoramento minucioso do tema. Não só de financiamentos, mas de todas as ações que o Brasil deve implementar para honrar o compromisso de reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa.

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No ciclo passado, o governo federal liberou R$ 4,5 bilhões para projetos do Programa ABC. Desse valor, R$ 3,027 bilhões foram emprestados – 67% do total. O número de contratos no país cresceu: de 4.808 na safra 2011/2012 para 12.103 no ciclo 2013/2014. Ainda assim, sobrou dinheiro.

Para todo o potencial ser aproveitado, o observatório vê a necessidade de maior apoio técnico, identificação de áreas geograficamente prioritárias e benefícios mais atrativos para os financiamentos do ABC.

– É um tipo de crédito com mais exigências para os projetos. O ABC fala em mudanças de processo, outras formas de gerenciar o negócio. Implica uma transformação maior do produtor – pondera Aron Belinky, coordenador do programa de finanças sustentáveis do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas.

Atualmente, 80% dos recursos são utilizados para recuperação de pastagens.

No Sul, a contratação de financiamento das linhas ABC vem diminuindo: a região representava 22% do total no país em 2011/2012 e 10,1% na última safra.

– O ABC tem um lado financeiro, mas também um aspecto técnico, que depende de outras ações. Vemos relação direta entre a proatividade dos grupos gestores nos Estados e o volume de recursos utilizados – diz Belinky.

No caso da Região Sul, há ainda outro potencial a ser explorado: o de geração de energia a partir do biogás originado dos dejetos de atividades como a produção de suínos e de aves.

Fonte: Zero Hora

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