Gisele Loeblein: ‘Sempre é tempo de falar de irrigação’

No ano em que o clima colaborou com a produção gaúcha, a irrigação — ou a necessidade dela — acabou ficando com um papel de coadjuvante. Mas a necessidade de se discutir esse importante mecanismo, capaz de ampliar os ganhos com a lavoura, é necessária, faça chuva ou faça sol. Até porque, a implementação de um sistema exige o cumprimento de uma série de requisitos e um investimento substancial quando se trata de pivôs de irrigação.

Resultados de iniciativas como a da Clube da Irrigação, ancorado pelo sistema da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), mostram que, ao lado de outras ferramentas da chamada agricultura de precisão é possível chegar a um desempenho diferenciado. No ano passado, em plena seca, um dos produtores acompanhados pela iniciativa, de Seberi, colheu 321 sacas de milho por hectare, em uma área experimental de 17 hectares. A média do Estado é de 70 sacas e a do próprio clube, de 250 sacas.

Atualmente, o Rio Grande do Sul tem cerca de 130 mil hectares com irrigação — descontado o arroz, que é cem por cento irrigado. Um espaço pequeno se considerarmos que só a soja ocupou 4,61 milhões de hectares na última safra de verão.

A grande aposta do governo para dar a virada neste cenário é o Mais Água, Mais Renda, que neste ano se transformou em lei e que contabiliza 1,3 mil pedidos de adesão conforme dados a Secretaria da Agricultura. Entre os benefícios oferecidos, a licença ambiental automática para projetos de até cem hectares.

Aliás, a licença é um dos pontos de grande polêmica. Hoje, quando falar para o público no 1º Encontro de Irrigantes por Aspersão do RS, evento que será realizado na Farsul, em Porto Alegre, o promotor do Meio Ambiente da Capital, Alexandre Saltz, terá como grande desafio a tarefa de desmitificar a ideia de que "é instrumento burocrático".

— O licenciamento é importante enquanto mecanismo de gestão. É necessário e, se bem aplicado, favorece o produtor —  garante Saltz.

Outro ponto importante, e que estará em debate, é a energia elétrica, que em muitas propriedades tem inviabilizado a irrigação.

Fonte: Zero Hora Gisele Loeblein gisele.loeblein@zerohora.com.br

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