Gisele Loeblein: recuo da soja reflete impacto da produção dos EUA

Relatório do Departamento de Agricultura americano mexeu com preços da commodity

por Gisele Loeblein

Gisele Loeblein: recuo da soja reflete impacto da produção dos EUA Fernando Gomes/Zero Hora

Perspectiva de boa colheita americana traz impacto também ao EstadoFoto: Fernando Gomes / Zero Hora

O cultivo da safra de verão nos Estados Unidos vem mexendo com o mercado internacional de grãos. Nos últimos dias, a soja negociada na Bolsa de Chicagotem registrado baixas no valor pago pelo bushel — medida equivalente a 27,2 quilos. Ontem, contratos com vencimento em julho ficaram abaixo dos US$ 14. Os que tinham vencimento em setembro fecharam abaixo de US$ 13 (veja as cotações na página 20).

A explicação imediata é o impacto do relatório divulgado um dia antes — na segunda-feira — pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês).

O documento aponta a evolução do plantio de soja, que alcançava 92% do total da área a ser cultivada com o grão. Mais do que isso, indica que 73% das lavouras estão em condições boas ou excelentes, acima da média registrada no ano passado em igual período: 64%. Na prática, isso indica que há possibilidade de uma safra cheia em terras americanas.

A estimativa é de que sejam produzidas 98,93 milhões de toneladas de soja. Uma colheita farta no maior produtor mundial do grão sem dúvida afeta as expectativas de produção — e os preços — em todo o mundo.

Por ora, não há motivo para grandes sobressaltos. Apesar da redução, os valores de Chicago, referência para o mercado mundial, ainda estão longe de serem considerados ruins. É o que avalia Farias Toigo, da Capital Corretora:

— Mesmo com o recuo, os preços ainda são bons.

Esses patamares vêm sendo mantidos devido ao cenário atual, com estoques mundiais do grão em baixa. Até o início da próxima colheita nos EUA, muita água ainda precisa rolar, literalmente. O clima do verão americano terá papel importante também aqui.

Fonte Zero Hora

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