Gisele Loeblein: ‘Por que o leite ficou mais caro’

Seja no valor desembolsado pelo consumidor ou na quantia paga ao produtor, 2013 tem sido um ano de alta do leite. Números do Centro de Estudos e Pesquisas Econômicas (Iepe) da UFRGS mostram que no mês de julho o leite longa vida integral exerceu a maior influência sobre a inflação na Região Metropolitana, com aumento de 6,94%. Também foi o que teve maior impacto na cesta básica.
Da mesma forma, a remuneração ao produtor cresceu. Conforme o secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado (Sindilat), Darlan Palharini, de julho de 2012 a julho de 2013, o valor pago ao produtor pelo litro de leite padrão subiu 35%. Comparando só julho, a alta também aparece. O preço projetado pelo Conseleite para o mês é quase 23 centavos maior do que o do ano passado.
Outra pesquisa, a do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), mostra que o valor do leite ao produtor em julho não só registrou novo reajuste como atingiu o maior patamar desde setembro de 2007, em termos reais, ou seja, descontando a inflação. O preço bruto (que inclui frete e impostos) chegou a R$ 1,0544 – média ponderada pelo volume captado em junho nos Estados de GO, MG, PR, RS, SC, SP e BA.
Fatores dentro e fora de casa ajudam a explicar essa equação – que tem sido ruim para o consumidor, mas beneficia o produtor, capaz de recuperar perdas acumuladas nos últimos anos. Um deles é a alta no valor da tonelada de leite em pó – principal commodity dos lácteos, usada para balizar o preço do leite – importada pelo Brasil, mais do que dobrou de valor na comparação de 2012 para 2013. Além disso, a cotação do dólar também aumentou.
Outra explicação para as altas está no chamado período da entressafra da produção, que no Estado vai de novembro a maio, quando as lavouras de grãos tomam espaço das pastagens.

Fonte: Zero Hora | Gisele Loeblein | gisele.loeblein@zerohora.com.br

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