Gisele Loeblein: Marfrig não mudará de ideia

Empresa enviou ofício ao governo do Rio Grande do Sul informando que mantém decisão de suspender as operações de frigorífico em Alegrete

19/01/2015 | 22h26

Não há surpresa na resposta negativa da Marfrig diante do pedido do governo do Estado para que reconsiderasse a anunciada suspensão das operações do frigorífico em Alegrete. Nesta segunda-feira à tarde, a empresa enviou ofício ao secretário da Agricultura, no qual mantém a decisão tomada em 2014 e reforçada na semana passada.

A partir de 4 de fevereiro, irá fechar as portas, trazendo um futuro incerto para os 623 funcionários da unidade.

Sobraram poucas alternativas para reverter as demissões. Uma é deixar que outra companhia assuma os abates da unidade – cerca de 500 animais por dia. Ideia anteriormente debatida, com poucas chances de evoluir.

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Sobre os benefícios fiscais concedidos à empresa por meio de decreto publicado em 30 dezembro do ano passado pela Secretaria da Fazenda, o atual secretário da Agricultura, Ernani Polo, entende que devem ser mantidos. Até porque foram estendidos a todas as empresas do setor no Estado.

– Eram demandas do segmento – explica o secretário.

Para ter uma visão ampla do mercado de carnes, nacional e estadual, a Secretaria da Agricultura chamou para uma reunião, na quinta-feira, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antonio Camardelli.

Com a confirmação da notícia da suspensão, o primeiro passo da Secretaria do Trabalho será um cadastro dos trabalhadores da unidade de Alegrete.

– Também veremos a questão das 150 vagas de transferência para a unidade de São Gabriel – diz o secretário Miki Breier.

Entidades sindicais prometem fazer barulho. Artur Bueno de Camargo, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Alimentação e Afins (CNTA), diz que já solicitou a intervenção dos ministérios da Agricultura e do Trabalho e também do BNDES. A estimativa é de que a suspensão das atividades em Alegrete afete 2,5 mil pessoas.

– A empresa está usando recursos de financiamentos do BNDES. Teria de ter contrapartida. Estamos pedindo que o banco reveja compromissos sociais assumidos – avalia Camargo.

Mais do que isso, a CNTA promete mobilização nacional, com a convocação de greve. Audaciosa, a entidade quer chamar a atenção também no mercado internacional, já que a empresa é global.

Fonte: Zero Hora

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