Gigante encalha rumo ao porto

Carregado de soja, navio grego de 225 metros de comprimento ficou quase dez horas preso em canal. Terminal nega prejuízos

Um gigante com 225 metros de comprimento e carregado com 65 mil toneladas de soja em GRÃOS ficou ontem cerca de nove horas e 15 minutos encalhado no canal externo de acesso ao Porto de São Francisco do Sul. O acidente não teve vítimas e foi resolvido a tempo de não interromper a entrada de outros navios no porto, programada só para o fim da tarde, segundo a Capitania dos Portos.

De acordo com a Capitania, o navio graneleiro do armador Samjohn Amity, de bandeira grega, deixava o porto rumo à China por volta das 7h30, quando encalhou. A hipótese do porto é de que tenha batido em um banco de areia às margens do canal, onde é menos profundo. O acidente ocorreu quando o navio contornava o morro do Forte de São Francisco, a seis quilômetros do porto.

Enquanto rebocadores corriam para prestar apoio, o temor era de que o encalhe atrasasse a entrada e saída de navios. Em 2004, um graneleiro panamenho ficou oito dias encalhado no canal, impedindo a entrada de navios. Na época, o prejuízo do porto foi calculado em R$ 500 mil.

"O reflexo é sentido se um problema desses durar mais de um dia. Mas acreditamos que, com a maré subindo e o trabalho dos rebocadores, o navio esteja liberado para seguir viagem antes do anoitecer", disse, ontem à tarde, o diretor de logística do porto, Arnaldo Santiago. Dito e feito.

Às 16h45, o gigante rebocado começava a ganhar velocidade em direção a alto-mar. A maré alta, à tarde, colaborou. Do alto do morro do Forte, enquanto o navio ia ficando pequeno no horizonte, rumo a uma viagem de meia volta ao mundo, era possível contar outros 12 navios parados na entrada.

Conforme o diretor de logística, apenas três navios não puderam entrar. Mesmo assim, só atracariam após as 17 horas. Os demais parados fora do canal aguardavam outros procedimentos. O gerente operacional do porto, Luiz Carlos Alves Lima, informou que a movimentação ocorreu normalmente às 18 horas. O Porto Itapoá divulgou que não teve movimentação afetada.

A Delegacia da Capitania dos Portos abriu inquérito para apurar o acidente, mas preferiu não se pronunciar ontem. A agência Litoral, responsável pela praticagem do navio (condução da embarcação para o canal e atraque), disse que aguardará a investigação.

Em 2011, foi concluída a dragagem e detonação de pedras no fundo do canal, o que elevou de 12 para 14 metros a profundidade dele e do pátio de manobra. A obra custou R$ 105 milhões, com recursos federais, e tinha objetivo de evitar acidentes como o tombamento do comboio de carga da empresa Norsul, há quatro anos.

rogerio.kreidlow@an.com.br

ROGÉRIO KREIDLOW

Fonte: A NOTÍCIA – SC

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