Gestora de fundos compra 25% da Fiagril

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Craig Tashjian, diretor da Amerra: "Fiagril tem ativos originais e escassos"

A Amerra Capital Management, gestora de fundos americana, acaba de dar sua maior tacada no Brasil com a aquisição de uma fatia de 25% do capital da Fiagril, empresa com foco em grãos com sede em Lucas do Rio Verde, Mato Grosso.

Com perfil agrícola e operações distribuídas entre as Américas, a Amerra decidiu apostar na Fiagril atraída pelos projetos na área de infraestrutura e pela qualidade da gestão da empresa mato-grossense, disse ao Valor Craig Tashjian, diretor e um dos fundadores da Amerra. "Há urgência em reduzir custos logísticos no Brasil e a Fiagril está investindo nisso e em armazenagem, além de tecnologias para produção de sementes. Achamos que a empresa tem ativos originais e escassos".

A aproximação entre as partes começou a ser costurada há dois anos, quando a Amerra concedeu à Fiagril um financiamento de médio prazo para pré-pagamentos de exportação. Mas esse relacionamento foi rapidamente estreitado.

"Como os preços do milho e da soja se mantiveram elevados nos últimos anos, a habilidade da Fiagril em usar capital próprio para seguir com investimentos estratégicos começou a ficar restrita, e a empresa resolveu levantar capital no setor financeiro para completar alguns projetos", afirmou Tashjian. No fim do ano passado, a empresa brasileira sondou a Amerra. "Fechamos negócio no fim de março de 2014".

A Fiagril era uma empresa de venda de insumos quando foi fundada, 25 anos atrás. Na última década, voltou-se para a comercialização de grãos e desde então multiplicou por quase dez vezes seu faturamento, que chegou a R$ 2,75 bilhões em 2013. Na esteira das negociações de soja e milho vieram investimentos na produção de sementes, armazenagem e logística, que ganharam impulso com a chegada da Amerra.

Atualmente, a Fiagril conta com capacidade para estocar 730 mil toneladas e prevê investir R$ 36 milhões este ano para ampliar esse volume. Além disso, toca as obras da Cianport, criada em parceria com a comercializadora de grãos Agrosoja para escoar a produção do Centro-Oeste pelo Norte do país. Sua mais recente investida é a Serra Bonita, joint venture criada em 2012 pelas empresas SinAgro e a Boa Safra para atuar no mercado de sementes – e que prevê chegar a R$ 300 milhões em vendas no ciclo 2015/16.

Procurada, a Fiagril preferiu não comentar o negócio com a Amerra. O Valor apurou que o financiamento inicialmente concedido pela gestora à Fiagril girou entre US$ 25 milhões e US$ 30 milhões, convertido em ações. Houve um aporte adicional para a aquisição da participação de 25%, mas o valor final do negócio não foi revelado. Fontes consultadas pela reportagem estimam que a fatia tenha custado R$ 120 milhões.

O foco da Amerra é o fornecimento de crédito, mas a gestora reserva parte de sua carteira de investimentos (até 20%) a ações e dívidas subordinadas. "A Amerra entra no capital das empresas com as quais tem parceria para melhorar o negócio; temos outros casos como o da Fiagril no Brasil e em outros países".

A Amerra nasceu no início de 2009, em meio à crise financeira mundial, pelas mãos de Tashjian e Nancy Obler, que trabalharam juntos por mais de uma década no banco francês Société Générale. Uniram-se à dupla na empreitada dois outros parceiros: o australiano Macquarie Bank e a M.D.-Sass, empresa americana de gestão de investimentos.

Em seu primeiro fundo, a Amerra angariou cerca de US$ 300 milhões. Hoje, a gestora administra US$ 1,2 bilhão, de um total de quase US$ 2 bilhões levantados desde a sua fundação. Em sua carteira, figuram de 50 e 70 empresas de países como Brasil, EUA, México e Paraguai. "Nosso objetivo não é competir com os bancos, mas fornecer crédito, que é escasso, para favorecer os investimentos de longo prazo do setor agrícola", afirmou Tashjian.

O Brasil responde por 40% do portfólio da Amerra e é o principal destino dos aportes. O foco das atenções no país são os segmentos de soja e milho, especialmente no Paraná, Mato Grosso e Goiás, mas há investimentos nas área de algodão (no "Mapitoba", confluência entre os Estados de Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia), tabaco e arroz (na região Sul) e em cana (no Centro-Sul e no Nordeste). A Tonon Bioenergia é uma das empresas sucroalcooleiras que tomou empréstimo junto à Amerra: o contrato, de US$ 15 milhões, foi firmado no fim de 2013 para pré-pagamento de exportação.

"Claro que a análise financeira é importante [para os investimentos realizados pela Amerra], mas o grande diferencial é a qualidade da gestão, a habilidade de gerenciar as mudanças e executar um plano de negócios", disse Tashjian.

O executivo adiantou que, em breve, a gestora voltará ao mercado para levantar mais capital: a expectativa é lançar um novo fundo no início de 2015. Nessa nova fase, o Brasil continuará como um alvo importante. "Vemos nos empréstimos para pré-pagamentos de exportação o principal meio de colocarmos dinheiro no país", afirmou.

Questionado sobre o interesse em investir em outras companhias semelhantes à Fiagril, Tashjian é categórico. "Sim, eu apenas não sei quantas são como a Fiagril, que achamos que é uma empresa especial", disse Tashjian. (Colaboraram Fernando Lopes e Fabiana Batista)

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Fonte: Valor | Por Mariana Caetano | De São Paulo

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