Gestora compra fazenda no país e planeja captar R$ 1 bi

De olho no potencial de valorização de terras no Brasil, a gestora de recursos AgriBusiness Investimentos comprou no mês passado a primeira das oito fazendas que pretende adquirir até o fim do ano que vem. Por uma área de 7,7 mil hectares em Nobres (MT), pagou R$ 40 milhões com recursos próprios, mas pretende iniciar este ano a captação de R$ 1 bilhão com investidores estrangeiros e nacionais para tocar seu projeto de adquirir ao todo 62 mil hectares em regiões com potencial para desenvolvimento agrícola.

Fundada em fevereiro de 2012 por executivos com larga experiência em gestão de fundos, a AgriBusiness tem como alvo a aquisição de fazendas abertas há mais de 20 ou 30 anos e que estejam degradadas, principalmente, pela atividade de pecuária extensiva. "O país tem milhões de hectares de pastagens degradadas. Esse é o nosso foco", afirma Luiz Antonio Ferraz Jr., um dos cinco sócios da gestora.

O objetivo é adquirir oito fazendas que somem 62 mil hectares (dos quais, 35 mil agricultáveis), "com prioridade para aquelas nas quais se possa cultivar duas safras por ano", diz Ferraz.

O projeto da gestora também contempla implantar uma estrutura de armazenagem nas regiões do país com mais déficit nessa área. O plano é aplicar R$ 220 milhões com os recursos captados para construir oito armazéns que somem capacidade para 600 mil toneladas de grãos. Os Estados que receberão essa estrutura já foram mapeados, segundo Ferraz, e são Mato Grosso, Paraná e Tocantins.

Mas trazer recurso estrangeiro para o Brasil não virou uma tarefa fácil em meio à instabilidade regulatória no país, diz o também sócio, Luciano Lewandowski. "Estive recentemente em reuniões com investidores do exterior. Há uma forte recomendação para não se investir no Brasil neste momento", lamenta.

Mas a gestora acredita que neste ano vai conseguir começar a atrair capital para seu projeto. Do total de R$ 1 bilhão pretendidos, 49% devem vir de investidores estrangeiros, outros 49% de nacionais e 2% de recursos próprios.

Aos investidores, a AgriBusiness oferece dois tipos de retorno anual. Aos nacionais, a variação do IPCA mais 8%. Aos estrangeiros, variação cambial mais 8%. Para ambos os casos, haverá um retorno adicional se o desempenho dos fundos superar essas metas. Do excedente, 20% ficarão com a gestora e 80% com os investidores, explica o executivo.

O objetivo é comprar terras com potencial de dobrar de valor em quatro a cinco anos. É após esse período que o fundo pretende realizar o retorno. "Isso pode ser feito antes, dependendo do momento do mercado", afirma Ferraz.

O negócio funcionará no mesmo formato já desenhado e executado na primeira fazenda adquirida, a Fazenda Essência. A transformação dessa propriedade em uma área agrícola produtiva é delegada a um arrendatário escolhido a dedo pela empresa, conta Lewandowski.

Para a Essência, foi fechado um contrato com a Agroverde, uma produtora agrícola local que já planta 15 mil hectares de grãos e fatura mais de R$ 300 milhões, diz Lewandowski. Nesta primeira safra, a Agroverde vai plantar de 1,5 mil e 1,8 mil hectares, acima da área mínima prevista no contrato, que é de mil hectares para o primeiro ano.

Por conta dos investimentos que a parceira terá de fazer para recuperar a terra, o contrato prevê no primeiro ano a isenção do pagamento de arrendamento. No segundo ano, inicia-se a cobrança, no entanto, de um valor bem abaixo da média do mercado. A cada ano, esse valor sofre reajuste.

O contrato é de dez anos, sendo que a partir do quinto ano, a AgriBusiness Investimentos pode vender a terra e romper o acordo. "O próprio arrendatário é um potencial comprador", diz Ferraz.

Neste momento, cinco fazendas já passaram pelo crivo da gestora no que se refere a condições de solo, localização geográfica e potencial de valorização. A aquisição delas, no entanto, depende da captação dos recursos, diz Ferraz. "A infraestrutura no país vai avançar e agregará ainda mais valor às propriedades", defende.

A análise das terras é feita com a ajuda de terceiros, como a Esalq, após a análise dos sócios. Quatro dos cinco proprietários da gestora têm alguma experiência em agricultura ou aquisição de terras, ou porque já trabalharam na área ou porque detêm as próprias terras, segundo Lewandowski.

Ainda que as terras no Brasil tenham registrado uma importante valorização nos últimos anos, o potencial de ganho para os próximos anos é considerado alto se comparado ao de outros países com vocação agrícola. Por isso, tantas empresas já exploram esse mercado, tais com a SLC Agrícola, por meio de sua subsidiária SLC Land Co, a Radar (Cosan), a Brasil Agro, entre outras. A agrícola Vanguarda Agro anunciou que também se estrutura para criar uma empresa com foco em compra e venda de propriedades agrícolas.

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo

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