Geração eólica deve alcançar 8,8 GW até 2017

O avanço da energia eólica no Brasil é demonstrado em números. Até o fim do ano passado, estavam em operação 108 parques, com 2,5 gigawatts (GW) de potência instalada e participação de 2% na matriz energética. Hoje, são 115 parques, com 2,7 GW, segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). A energia gerada em 2012 era suficiente para abastecer em média 2,5 milhões de residências por mês e uma população estimada em 7,5 milhões de pessoas. A expectativa do setor é chegar a 2017 com 8,8 GW de capacidade instalada e uma participação de 5,5% na matriz.

O desempenho da energia eólica deve-se a um conjunto de fatores. Entre eles, as características dos ventos brasileiros: fortes, constantes e unidirecionais. Um grande avanço tecnológico resultou na construção de aerogeradores entre 1,6 MW e 3 MW de potência e com 100 metros a 120 m de altura, permitindo melhor aproveitamento. Além disso, os olhos dos fabricantes mundiais se voltaram para os países emergentes – Brasil, China e Índia, e os preços dos equipamentos caíram. O segmento também recebe incentivos fiscais para compra de equipamentos e instalações no Nordeste.

"A energia eólica atravessa uma fase virtuosa de crescimento", comenta Elbia Melo, presidente executiva da Abeeólica. "A partir de 2010, o setor investe, em média, R$ 9 bilhões por ano e, em 2013, o Brasil deve ocupar o oitavo lugar do ranking dos países que mais aplicaram em eólica." Elbia afirma que o ponto de equilíbrio para sustentar a cadeia produtiva é alcançado com o crescimento de 2 GW por ano. "Isso está acontecendo desde 2009, o que aumenta o interesse dos investidores."

A Renova Energia participa dessa fase virtuosa. Com 1.250 MW vendidos nos leilões governamentais, entregou no ano passado o complexo Alto Sertão I. São 14 parques, com capacidade instalada de 293,6 MW, nos municípios de Caetité, Igaporã e Guanambi, na Bahia. No fim de 2012, a empresa anunciou o início das obras do complexo Alto Sertão II, com 15 parques e capacidade instalada de 386,1 MW. O investimento será de R$ 1,4 bilhão. Os primeiros seis empreendimentos devem ser entregues em setembro e os restantes, em março de 2014.

"As obras para implantar os outros 550 MW deverão ser iniciadas no segundo semestre de 2014", diz Mathias Becker, diretor presidente da Renova. "O investimento total será de R$ 4,5 bilhões."

Para suprir os novos parques, a empresa fechou um contrato com a Alstom para a compra de 440 aerogeradores, que começarão a ser entregues a partir de 2015. O contrato, no valor de € 1 bilhão, envolve o desenvolvimento de equipamentos com a tecnologia mais adequada aos ventos da região.

A disputa por fatias do mercado gaúcho também é grande. A Odebrecht Energia está implantando no Rio Grande do Sul seu primeiro projeto no segmento de eólicas, o complexo Corredor de Senandes, com capacidade instalada de 108 MW, suficientes para abastecer 600 mil habitantes. Na primeira fase do empreendimento, serão instalados quatro parques – Corredor do Senandes II, III e IV e Vento Aragano I – que exigirão investimentos de R$ 400 milhões, e devem operar até julho de 2014.

A empresa tem outros 16 parques eólicos, dez no Ceará e seis no Rio Grande do Sul, com 365 MW, e estuda inscrever esses projetos nos próximos leilões. "Faz parte de nossos planos investir e operar fontes de energia renovável na América Latina", afirma Fernando Chein, diretor de geração.

O complexo eólico Cerro Chato, da Eletrosul, com capacidade instalada de 90 MW, em Sant’Ana do Livramento (RS) está em operação desde 2011. Agora, o entorno do Cerro Chato vai receber outros cinco parques, com 78 MW. "Os investimentos totais no Rio Grande do Sul somam R$ 2,3 bilhões", diz Ronaldo dos Santos Custódio, diretor de engenharia e operações. (JS)

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Fonte: Valor | Por De São Paulo

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