Geografia dificulta autossuficiência do país asiático

Principal responsável pelo boom de commodities iniciado nos anos 2000, a China é também uma potência global na produção de carne de frango. Conforme estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), os chineses produziram 13,5 milhões de toneladas de frango em 2013. Trata-se da segunda maior produção de aves no mundo.

À frente da China, estão apenas os EUA, que produziram cerca de 17,4 milhões de toneladas. Maior exportador mundial, o Brasil continuou na posição de terceiro principal produtor de frango, com 12,7 milhões de toneladas.

Apesar de sua relevância na produção, a China enfrentará muitos desafios nos próximos anos, segundo especialistas. No mercado, há ceticismo sobre a capacidade de o país se tornar autossuficiente na produção de frango. Conforme os últimos dados disponíveis no sistema de estatísticas da FAO, a Agência para Agricultura e Alimentação da Organização das Nações Unidas (ONU), a China era a maior importadora global de frango em 2011, com compras de mais de 1,5 milhão de toneladas.

"A China não tem como se tornar autossuficiente em frango. Primeiro, porque o crescimento da demanda é exponencial", afirma o diretor de mercados da União Brasileira de Avicultura (Ubabef), Ricardo Santin. Atualmente, o país consome 10 quilos per capita por ano de frango, ante a média mundial de 22 quilos, diz ele. Além disso, a China enfrenta problemas de espaço e escassez de água.

O CEO da Marfrig, Sergio Rial, tem algumas dúvidas. "A autossuficiência traz uma série de questões, mas não é impossível", afirma. Segundo ele, mesmo os graves problemas sanitários na China podem ser amenizados, especialmente a partir dos investimentos de empresas, como Tyson, Cargill e a própria Marfrig. "É ingenuidade imaginar que não vão surgir grandes empresas chinesas de frango", afirma, citando a capacidade dos chineses de incorporar o modelo das companhias estrangeiras.

De todo modo, a China é um mercado fundamental para o Brasil. Mas ainda há arestas a aparar. Uma das principais é a distorção entre Hong Kong – que compra dos frigoríficos que integram a lista geral -, e a China continental, que só importa de 23 unidades do Brasil Mas a Ubabef espera que outras 13 sejam habilitadas este ano. (LHM e AAR)

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Fonte: Valor | Por De São Paulo

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