Gado a perder de vista em Alegrete

Com criação de gado e terneiros em destaque, assim como exportações de carne e de animais em pé, Alegrete, na Fronteira- -Oeste, é o lar da bovinocultura.Isso porque o município tem um ciclo completo, da produção e venda de terneiros à entrega de animal gordo para abate na própria cidade.

“Não adianta ter o rebanho sem bons índices de desfrute de gado gordo, de terneiro e uma planta frigoríica de grande porte.

É esse conjunto que traz os ganhos a Alegrete. Ter apenas a cria é perda de valor, porque antes de nascer tu já investiu na vaca, na prenhez, na inseminação. Os ganhos estão no ciclo completo, com maior lucro na carne”, pondera o presidente do Sindicato Rural de Alegrete, Pedro Pífero.

Em 2018, segundo o IBGE, habitavam os pastos do município 582 mil cabeças de gado, criados em cerca de 2,5 mil propriedades focadas em pecuária. O agronegócio como um todo representa diretamente, mais de 40% da receita de Alegrete. O fato de ter um grande frigoríico na cidade, habilitado a exportações, ajuda a ampliar ainda mais os ganhos.

“Isso permite que os recursos oriundos da cadeia e os empregos iquem na cidade. No Marfrig, são 700 os empregados. O comércio depende do setor primário, da livraria à loja de roupas”, resume Pífero.

“Foi o bom preço da arroba, no ano passado, por sinal, que amenizou os danos do arroz, outra cultura importante na cidade”, informa o produtor, referindo à forte valorização da carne bovina no segundo semestre de 2019 devido à alta nas exportações.

“O consumo interno vinha em queda, com desemprego em alta, renda em baixa e pouco poder de compra. Principalmente para a proteína bovina. Sem as exportações, isso se reletiria nos preços pago pelo produtor pela carne. A exportação permite que os valores não caiam tanto, e até subam”, assegura Pífero.

O maior percalço, em 2020, é a seca – com pasto escasso, o animal perde peso. A falta de chuva, assegura o pecuarista, vai reletir em breve nos índices de desfrute (aumento do rebanho), com menor produção de terneiros.

Isso porque a pastagem de inverno já deveria estar implantada, mas não se conseguiu fazer na hora certa. O pasto disponível, que deveria ser de reserva, os animais já comeram.

“Vai ter represamento da engorda e no acabamento logo adiante. Na pecuária, não se tem índices de perdas precisos como em uma lavoura. É peso que não foi ganho no gado, é o custo extra para engordar o boi ou a venda de um animal com peso menor.

São também prejuízos da estiagem”, explica Pífero.

Fonte: Jornal do Comércio