G-20 defende políticas de estímulo ao crescimento

A cúpula dos líderes do G-20, em Los Cabos, no México, terminou ontem com a esperada ênfase maior em políticas de estímulo ao crescimento e com o firme compromisso dos países europeus para agirem de modo a preservar o euro e a resolver a crise que atinge os seus bancos. O resultado das eleições gregas do domingo, com a vitória do partido Nova Democracia, favorável ao cumprimento do acordo de ajuda com a Europa e o FMI, fez com que a reunião transcorresse num clima menos tenso do que se temia, mas ainda assim o senso de urgência tomou conta do encontro, transparecendo nos documentos finais.

No plano de ação, Austrália, Brasil, Canadá, China, Indonésia Coreia do Sul e EUA se dizem prontos para "coordenar e implementar medidas discricionárias para apoiar a demanda doméstica", se as condições econômicas se deteriorarem abruptamente.

O comunicado final tem de fato um tom pró-crescimento, mas sem abandonar a menção à importância de medidas de austeridade fiscal. "Impulsionar a demanda e o crescimento e reduzir o desemprego persistentemente alto e crescente em muitas economias avançadas, especialmente entre os jovens" aparece como uma das principais prioridades, logo seguida pela necessidade de se assegurar a consolidação fiscal como medida para apoiar a recuperação.

Segundo uma fonte do governo brasileiro, a Alemanha cedeu um pouco na direção de uma visão mais pró-crescimento, mas sempre fazendo questão de a disciplina das contas públicas constasse do documento, respeitando a diferença da situação de cada país. No caso da Espanha, por exemplo, o documento diz que "o foco da política fiscal vai continuar focada na consolidação".

Como esperado, os EUA se comprometeram a evitar uma forte contração fiscal em 2013, dado o risco de ocorrer uma combinação de aumento forte de impostos e redução abrupta de gastos. Ainda no front fiscal, o texto diz que "Austrália, Brasil, Canadá, China, Alemanha, Indonésia, Coreia do Sul, Reino Unido e EUA estão permitindo que os estabilizadores fiscais operem, levando em conta circunstâncias nacionais e condições de demanda". O documento menciona, que o Brasil se compromete a elevar o investimento para reequilibrar a demanda.

Em relação à Grécia, o G-20 disse apoiar as negociações entre o país e a União Europeia no caminho "das reformas e da sustentabilidade" no âmbito da zona do euro.

O documento final traz o compromisso dos países europeus de tomar "todas as medidas para salvaguardar a integridade e a estabilidade da zona do euro, melhorando o funcionamento dos mercados financeiros e quebrando o movimento de retroalimentação negativa entre dívidas soberanas e os bancos". Essa preocupação com a contaminação da dívida dos governos pelos problemas bancários é especialmente grave na Espanha, que continua a sofrer mesmo depois do anúncio de um pacote de até 100 bilhões para capitalizar os seus bancos.

Em entrevista coletiva, o presidente dos EUA, Barack Obama, se disse confiante na resolução da crise europeia, mas destacou as dificuldades de se chegar a um consenso na zona do euro, formada por 17 países.

Além do discurso, o G-20 também foi o palco em que se anunciou um reforço de caixa de US$ 456 bilhões ao FMI, um valor superior ao que foi divulgado em abril pelos países do G-20, de US$ 430 bilhões, como destacou o presidente do México, Felipe Calderón, na presidência do G-20. É uma ampliação do poder de fogo da instituição, para tentar deter a espiral de desconfiança. A questão, como disse Obama, é que a psicologia dos mercados é difícil de reverter.

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Fonte: Valor | Por Sergio Lamucci | De Los Cabos, México

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