Futuro incerto para fábrica compartilhada por Zoetis e Pfizer

Após quase nove anos no comando do braço de saúde animal da Pfizer no Brasil, Jorge Espanha deixará o cargo em um momento de transição para a companhia. O executivo ainda terá influência sobre a Zoetis no Brasil, mas o dia a dia da empresa não estará mais sob sua responsabilidade. Espanha assumiu a vice-presidência de estratégia de negócios e desenvolvimento comercial da Zoetis para o Canadá e América Latina e vai liderar a área a partir do escritório central da companhia, no Estado de Nova Jersey (EUA).

No Brasil, o novo presidente da veterinária corre o risco de iniciar sua gestão com a perda da unidade de Guarulhos (SP), uma das duas fábricas da Zoetis no país. "Isso ainda é um problema e estamos avaliando", admitiu Espanha, em entrevista ao Valor. Ainda à frente da Zoetis no Brasil, o executivo acumulará a função com a vice-presidência regional até que a empresa indique outro presidente, o que deve levar cerca de três meses, segundo Espanha.

O imbróglio criado com a unidade de Guarulhos é um efeito colateral do processo que desmembrou, em janeiro, a área de saúde animal da Pfizer, o que levou à criação da Zoetis como empresa "independente" e listada na bolsa de Nova York. A farmacêutica americana e a veterinária compartilham a unidade de Guarulhos. "Hoje, 60% da fábrica é utilizada pela Zoetis", diz.

Como Pfizer e Zoetis não são mais a mesma companhia, a tendência é que a fábrica em questão deixe de ser compartilhada. Um anúncio realizado em maio pela farmacêutica só reforça o "distanciamento" entre as duas empresas. A Pfizer fará uma oferta de ações para se desfazer da sua participação remanescente na Zoetis. A farmacêutica ainda tem 80% do capital da empresa veterinária.

A maior probabilidade é que o prejuízo do fim do compartilhamento da unidade de Guarulhos recaia sobre a veterinária, até porque a fábrica pertence à Pfizer. Espanha ressalta que as duas empresas ainda não decidiram o que fazer, mas a expectativa dele é que o martelo seja batido em até seis meses.

O executivo reconhece que a unidade é de importância fundamental para as duas companhias. Do lado da Zoetis, a fábrica de Guarulhos é responsável pela produção de antiparasitários, antibióticos e anti-inflamatórios, com uma capacidade para produzir 278 milhões de comprimidos, 19,5 milhões de frascos e 7 milhões de ampolas por ano.

A unidade, certificada por órgãos como a Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês) dos EUA, é também uma plataforma global de exportações da Zoetis, atendendo a mais de 70 países. Em 2012, as exportações intercompanhia a partir de Guarulhos somaram US$ 38 milhões. Com faturamento de mais de R$ 600 milhões no ano passado, o Brasil é o segundo país mais importante para a Zoetis, atrás apenas dos Estados Unidos.

No caso da Pfizer, a unidade de Guarulhos produz o Viagra e um medicamento para colesterol. Procurada pela reportagem, a farmacêutica afirmou, em comunicado, que "neste momento em que ocorre a conclusão do processo de separação da Zoetis da Pfizer, a companhia analisa diversas possibilidades relacionadas às operações da manufatura de Guarulhos. Porém, nenhuma decisão final foi tomada".

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Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

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