FUTURO DO GRÃO | Combustível para inovações

Investimento de mais de R$ 700 milhões em usinas de biocombustível vai gerar 12 mil empregos em seis municípios

Um projeto inovador para o Estado promete revolucionar o uso do arroz produzido nas lavouras gaúchas. Com a instalação de seis usinas de biocombustível até 2020, o grão deve ganhar espaço também nos automóveis.
A primeira amostra do etanol à base de arroz será apresentada durante a 22ªAbertura Oficial da Colheita do Arroz, em Restinga Seca. Desenvolvida pela Vinema Multióleos Vegetais, empresa de Camaquã que trabalha com a produção de óleo de mamona e girassol, a dose experimental faz parte de um investimento estimado em mais de R$ 700 milhões e que tem previsão de início da produção para o ano de 2014.
De acordo com o diretor de desenvolvimento da empresa, Vilson Neumann Machado, naVinema Biorrefinaria do Sul será utilizada como matéria-prima o grão rejeitado pelo mercado. Em média, segundo o executivo, das mais de 7 milhões de toneladas colhidas no Rio Grande do Sul a cada ano, 14% correspondem ao grão descartado para consumo humano e que poderia ser aproveitado para a produção de etanol.
O projeto tem adesão da Embrapa Clima Temperado, com sede em Pelotas, no sul do Estado, do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) e da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz). Uma comissão especial foi criada na Câmara Setorial de Agroenergia, onde estão sendo realizados estudos de viabilidade técnica e econômica do negócio.
– Com a utilização desses grãos desqualificados para o consumo humano, teremos um arroz mais valorizado no mercado. Hoje, esses 14% geram volume nos armazéns e acabam causando um desequilíbrio na oferta que, por aparentar ser maior do que realmente é, faz o preço cair. Enxergamos no etanol uma alternativa de valorização do setor – diz o vice-presidente da Planície Costeira Interna da Federarroz, Daire Paiva Coutinho Neto.
Quanto a uma possível polêmica sobre a utilização do alimento como combustível, o presidente do Irga, Claudio Pereira, é taxativo: só será permitido o uso do grão excedente no mercado. A prioridade da produção do Rio Grande do Sul permanecerá direcionada ao consumo humano.

No tanque

Como vai funcionar o projeto da Vinema Multióleos:

> São seis unidades. A primeira, em Cristal, deve iniciar as operações em 2014. As outras cinco serão instaladas em Santo Antônio da Patrulha, Dom Pedrito, Itaqui, Capão do Leão e Cachoeira do Sul. Cada fábrica funcionará em área de 40 hectares, com investimento de R$ 120 milhões.

> A matéria-prima será o grão desqualificado para o consumo humano, cerca de 14% da produção do Estado.

> A previsão é de que sejam produzidos 300 mil litros de etanol por dia. Nas usinas também será fabricada ração animal, com estimativa de que a produção chegue a 240 toneladas por dia.

> A projeção é de que sejam gerados, até 2020, 12 mil novos empregos.

 

Fonte: Zero Hora

joice.bacelo@zerohora.com.br
rafael.diverio@zerohora.com.br
JOICE BACELO E RAFAEL DIVÉRIO

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