Futuro do etanol em discussão

Evento realizado em São Paulo reúne produtores governo e indústria para analisar cenários para o setor até 2020

por Luciana Franco

Marcello Casal Jr./ABr

A presidente da União da Indústria da Cana, Elizabeth Farina

Na abertura do Etanol Summit 2013, realizado em São Paulo nos dias 27 e 28 de junho, a presidente da União da Indústria da Cana (Unica), Elizabeth Farina, destacou como pontos importantes do evento temas como o destino do carro flex, o etanol celulósico e a cooperação entre países produtores e exportadores. “Em 2012 o consumo de combustíveis leves subiu 8%, devendo crescer 50% até 2020. Há um enorme potencial de crescimento para os próximos anos”, disse Farina.
O potencial de crescimento deste segmento até 2020 foi tema do primeiro painel do evento. Na avaliação de Carlos Gutierrez, ex- secretário do Comércio dos Estados Unidos, o momento é de mudança. “Para o biocombustível ser competitivo ele depende de uma serie de fatores, como, por exemplo, a adoção de políticas governamentais”, diz Gutierrez. Para ele, o Brasil, assim como os Estados Unidos não tem a certeza de que as políticas governamentais vão se concretizar no longo prazo. “Nos Estados Unidos há um planejamento, mas ele pode ser desfeito”, disse.
Segundo ele, existe uma forte política nacional no mercado norte-americano que incentiva investimentos na exploração de gás de xisto, utilizada na produção de gás natural. Entre 2000 e 2010, a participação do gás de xisto na produção de gás natural nos Estados Unidos cresceu de 1% para 20%. Para Gutierrez, o grande concorrente do etanol no mercado norte-americano é o gás de xisto.
Estimativas indicam ainda que os Estados Unidos serão os maiores produtores de gás do mundo em 2015. “Se não houver adoção de políticas governamentais de apoio ao etanol, não há futuro para o biocombustível. E o governo brasileiro tem desde 2008 estimulado mais a gasolina que o etanol”, avalia Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).
Já para a deputada do parlamento europeu para Dinamarca, Britta Thomsen , a experiência brasileira na produção de etanol tem inspirado a Europa, que importa mais de 50% da energia que consome. “O setor de transporte consome um terço da energia da União Européia e a demanda deste setor cresceu 30% nas ultimas duas décadas. O setor responde ainda por 13% do total de emissão de gás carbônico e entendemos que a cana ajudará a reduzir a emissão do segmento de transportes no continente”, disse Thomsen.

Fonte: Globo Rural

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