Fusão entre Agrium e Potash criará gigante de US$ 27 bi

Derek Mortensen/Reuters

Jochen Tilk, CEO da Potash, será o presidente do conselho da nova empresa a ser criada após fusão com a Agrium

As empresas de fertilizantes canadenses Agrium Inc. e Potash Corp. of Saskatchewan Inc. confirmaram ontem que planejam uma fusão que criaria uma gigante do setor avaliada em cerca de US$ 27 bilhões.

Unir forças com a Agrium daria à Potash Corp., maior produtora de fertilizantes do mundo por capacidade, proteção contra a volatilidade dos preços do produto graças à sólida rede de varejo da Agrium. Esse sistema também deve reduzir os custos de distribuição da Potash, ao expandir suas vendas de fertilizantes.

A unidade de varejo da Agrium, a maior na América do Norte para fertilizantes, sementes e equipamentos, responde pela maior parte das vendas da companhia. Para a Agrium, o negócio pode fortalecer seu volume de potassa e outros ingredientes usados na produção de fertilizantes.

Os preços da potassa têm sido pressionados desde 2013, quando a produtora russa Uralkali JSC cancelou sua parceria na área de vendas com a Belarusian Potash Co. A desaceleração da demanda dos mercados emergentes em meio a um excesso de oferta desencadeou negociações de fusões no setor de fertilizantes.

O diretor-presidente da Agrium, Chuck Magro, disse em entrevista ao The Wall Street Journal que ele explorou primeiramente discussões de fusões com o diretor-presidente da Potash, Jochen Tilk, no ano passado, quando buscavam por oportunidades para cortar custos.

Magro disse que a Potash é o "parceiro certo" devido ao potencial de reduções significativas de custos. "Nós seremos muito mais capazes de administrar as tempestades no mercado de commodities", disse ele.

A Agrium também manteve conversas preliminares com a fabricante americana de fertilizantes Mosaic Co. no início deste ano, mas elas não foram adiante, de acordo com pessoas a par do assunto. Porta-vozes das duas empresas não quiseram comentar sobre essas conversas.

A fusão entre a Potash e a Agrium seria a mais recente de uma série de negócios fechados no setor agrícola. Entre eles estão os negócios, ainda pendentes, entre a Dow Chemical Co. e a DuPont e a planejada aquisição da suíça Syngenta AG pela China National Chemical Corp.

Legisladores dos Estados Unidos disseram no mês passado que pretendem realizar uma audiência para examinar essa onda de fusões, afirmando que existe a possibilidade de os negócios reduzirem a concorrência e provocarem uma alta dos preços.

Os acionistas da Potash teriam cerca de 52% da nova companhia e os da Agrium, os demais 48%. Ambas têm um valor de mercado conjunto de aproximadamente US$ 27 bilhões. A nova empresa teria vendas anuais de quase US$ 21 bilhões.

Estima-se que a fusão da Potash e da Agrium vá enfrentar uma análise minuciosa dos reguladores dos EUA e do Canadá, entre outros países, devido à combinação da capacidade de produção de ambas na América do Norte. Juntas, elas controlariam 23% da capacidade global de produção, mas na América do Norte esse percentual seria de 60% ou mais, à frente da Mosaic e da Intrepid Potash, de acordo com uma nota divulgada ontem National Bank, do Canadá.

Magro, que deve assumir como diretor-presidente da nova empresa, disse que está "altamente confiante" que a proposta de fusão não desencadeará questões antitruste. Ele disse que o mercado de potassa tem se tornado muito competitivo com o surgimento de novos produtores e que há bem pouca sobreposição entre as operações das duas empresas nas áreas de nitrogênio e fosfato.

Alguns agricultores, já sofrendo com os preços baixos das commodities que produzem, temem que fusões entre grandes fornecedores concentre poder na definição de preços nas mãos de poucos participantes do mercado. Entre os produtores de milho dos EUA, por exemplo, os fertilizantes respondem por cerca de 20% dos custos totais.

As companhias estimam que o negócio deva gerar ganhos anuais de até US$ 500 milhões em sinergias nas operações. Elas empregariam em torno de 20 mil pessoas.

A Agrium tem mais de 1.200 pontos de venda no varejo, a maioria deles no Canadá e nos EUA, e vende cerca de 10% do nitrogênio, fosfato e potassa que produz para clientes industriais.

Tilk, da Potash, será o presidente do conselho da nova empresa, que terá sede em Saskatoon, onde está a matriz atual da Potash.

As vendas da Potash foram afetadas pela desvalorização do câmbio no Brasil, que acabou reduzindo a demanda por parte dos produtores brasileiros. O Brasil é um dos principais consumidores mundiais de fertilizantes.

Mais recentemente, os preços também foram afetados por atrasos na assinatura de contratos de fornecimento na Índia e na China, outros importantes mercados consumidores de fertilizantes.

As duas empresas afirmam, porém, que há sinais de que haja um aumento nas vendas de potassa até dezembro. Fora da América do Norte, a Potash e a Agrium vendem o nutriente agrícola por meio da Canpotex, uma exportadora canadense que também inclui a rival Mosaic Co.

As empresas, que anunciaram pela primeira vez no fim de agosto que estavam mantendo discussões preliminares, afirmaram esperar que o negócio seja concluído em meados de 2017. (Colaborou Jacob Bunge.)

Por Jacquie McNish e Judy McKinnon | The Wall Street Journal, de Toronto

Fonte : Valor

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *