Fusões e aquisições se mantêm em alta em 2012

O movimento de consolidação que marcou o agronegócio nos últimos anos deve manter o ritmo por algum tempo. Segundo especialistas, a preocupação com escala, a necessidade de ampliação do portfólio de negócios e estratégias de integração ao longo da cadeia ainda vão estimular o número de fusões e aquisições no segmento, responsáveis por colocar o Brasil no papel de comandante mundial de mercados como carne, suco de laranja, açúcar e álcool. Os negócios vão ser estimulados também por quesitos que vão desde o interesse cada vez maior de investidores estrangeiros até a demanda por profissionalização e a questão sucessória em empresas familiares.

Estudo da KPMG indica que, no ano passado, 817 operações de fusão e aquisição envolveram direta ou indiretamente empresas brasileiras, das quais 44 no sub-segmento de alimentos, bebidas e fumo – só no primeiro trimestre deste ano, foram 11 transações – e 15 em açúcar e álcool. Segundo Luís Motta, sócio líder da área de fusões e aquisições da companhia, a necessidade de buscar retorno, eficiência e ganho de escala vai manter o número em alta, principalmente em ramos como proteína animal – onde o Brasil já conta com gigantes globais como JBS, BR Foods e Marfrig – e açúcar e álcool.

Em proteína animal, a JBS é uma das que mantém o ritmo aquecido. No último mês, além de absorver mais dois frigoríficos no Norte do país – até abril, foram sete operações de compra ou arrendamento de unidades de carne bovina, só no Brasil – a empresa fechou acordo com a Frangosul para entrar no segmento avícola e anunciou cisão da Vigor, que voltará a ser listada em bolsa. "As empresas estão investindo em outros tipos de proteínas, incluindo frango, porco e lácteos", diz Eduardo Barros, líder do segmento agri da Accenture.

De acordo com o especialista, a busca por expansão na cadeia de valor está levando as empresas a buscar alternativas para marcar presença em um escopo de atuação que vai do campo ao consumidor. A estratégia, adotada por empresas como a Raizen, resultante da operação entre a Cosan e a Shell, também está movimentando o setor de grãos, levando à diversificação e à entrada em novos segmentos. A Bunge, no fim do ano passado, comprou a Etti por R$ 180 milhões e metade da ALE Distribuidora por algo em torno de R$ 1,2 bilhão.

A Camil, depois de receber aporte do fundo Gávea de private equity, voltou-se para o segmento de pescados comprando a Coqueiro e a Femepe. "Ainda há oportunidade de consolidação em mercados pulverizados que precisam diluir custos e ter acesso a capital", diz Motta – pescados e lácteos entre eles.

A necessidade de profissionalização em um setor cada vez mais marcado pela demanda por previsibilidade é outro motivador da consolidação, colocando na mira empresas de menor porte, familiares e até mesmo cooperativas. Pesquisa realizada pela Greenberg Traurig aponta que 86% dos investidores focados na América Latina acreditam que a atividade de fusões e aquisições vai crescer este ano – e quase metade (48%) vê como alvos prioritários as familiares.

O estudo aponta ainda que o Brasil deve atrair mais asiáticos, principalmente nos setores de energia e mineração (69%) e agribusiness (15%).

Renato Gennaro, diretor executivo da Ernst &Young, vê a manutenção em 2012 do movimento que atraiu novas entrantes principalmente em etanol, um dos setores mais consolidados nos últimos anos — foram 93 negociações desde 2007, boa parte delas envolvendo trades, em busca de domínio de uma cadeia marcada por riscos relacionados a variáveis como clima e quebra de safra. Em 2011, o Noble Group, negociante de commodities com sede em Hong Kong, pagou perto de US$ 1 bilhão pela operação paulista de açúcar e álcool da produtora Cerradinho, até então de propriedade da família Fernandes. Logo depois a British Petroleum comprou a CNAA por US$ 680 milhões.

A Louis Dreyfus é uma das mais agressivas. Uma das maiores corporações globais focadas em agronegócios, a francesa investiu mais de R$ 4 bilhões no país desde 2006, com aquisições em diversas áreas.

Fonte: Valor | Por Martha Funke | Para o Valor, de São Paulo

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