Fundos mantêm horizonte de longo prazo na empresa

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Marco Geovanne, diretor de participações da Previ, aguarda novo estágio da BRF como multinacional de alimentos

A BRF-Brasil Foods é há mais de um ano uma companhia de capital totalmente pulverizado. Desde março de 2011 não vigora mais o acordo de voto que unia os principais fundos de pensão (maiores acionistas) num posicionamento homogêneo.

As fundações Previ, Petros, Valia, Sistel e Sabiá estavam unidas por esse acordo desde 2006, quando decidiram levar a Perdigão para o Novo Mercado e passaram a ter o chamado controle minoritário – formavam o maior bloco de influência, mas sem a maioria absoluta do capital votante. Esse acordo venceu em março de 2011 e não foi renovado. O diretor de participações da Previ, Marco Geovanne, afirmou que o acordo poderá ser retomado a qualquer momento, se necessário, embora nada esteja sendo preparado.

A Caixa dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ) ainda é a maior acionista individual, com 12,8% da empresa. Geovanne disse ao Valor que a Previ não teria motivos para se desfazer dessa participação neste momento.

Logo após a Previ, entre os maiores acionistas, vem o fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, a Petros, com 10,3%.

Apesar do fim do acordo, a presença das fundações na base acionária oferece um caráter de continuidade. O conselho de administração da empresa ainda tem à frente Nildemar Secches, a quem é atribuído o trabalho de recuperação e crescimento da Perdigão após a aquisição pelos fundos.

Ainda em 2007, a Perdigão passou a Sadia em valor de mercado e em faturamento. E quando a incorporação total da Sadia foi feita, em setembro de 2009, após os prejuízos financeiros, ela representava 33% da nova sociedade. Todo o restante era Perdigão.

O terceiro maior acionista atual da BRF é a gestora Tarpon, com pouco mais de 8% do negócio. Desde o ano passado, a gestora indica três membros no conselho de administração da empresa.

Somente depois da Tarpon é que aparecem outros fundos. Valia tem 1,9%, Sistel, 1,3% e Sabiá, menos de 1%.

A Valia está entre os vendedores recentes, explicou o diretor de investimentos e finanças da fundação, Maurício Wanderley. A valorização da companhia fez com que a participação estourasse os limites da carteira. Contudo, segundo ele, a BRF continua sendo o maior e mais importante investimento estratégico do fundo.

O conselho de administração da BRF reflete a diversidade da base acionária e combina fundadores, com a presença de Luiz Fernando Furlan e Walter Fontana, antigos controladores da Sadia, com ex-executivos (Secches), membros independentes e gestores financeiros, com a Tarpon.

Apesar de ser uma empresa de capital pulverizado, não significa que a formação de um novo controle seja fácil. A empresa possui uma cláusula feroz em seu estatuto social que dificulta (pois encarece substancialmente) qualquer tentativa de um investidor comprar mais de 20% do capital. São as chamadas pílulas de veneno.

A existência desses mecanismos é controversa, pois pode tanto proteger uma companhia contra a volatilidade do mercado como servir para perpetuar ou "encastelar" uma administração ruim à frente dos negócios. Nada disso, porém, está em questão na BRF. O mecanismo, de forma geral, é alvo de questionamentos do ponto de vista da governança corporativa.

Na assembleia geral deste ano, a empresa já deu um passo importante neste tema. Os acionistas votaram pela retirada de uma cláusula que praticamente impedia o fim da pílula de veneno, regra que recebeu o apelido de "cláusula pétrea". Esse dispositivo já havia sido alvo de manifestações contrárias da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e até da BM&FBovespa que impediu esses dispositivos para as novas empresas do Novo Mercado.

Mas no que depender do horizonte das fundações, não há vontade de se desfazer dos papéis. Geovanne, da Previ, afirmou que o objetivo do fundo é aguardar a consolidação do próximo patamar da BRF, quando – na visão dele – deixará de ser uma companhia exportadora para se transformar numa multinacional, com operações locais em diversos países. (GV)

Fonte: Valor | Por De São Paulo

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