Fumicultores: destino incerto

A vida de aproximadamente 90 mil famílias gaúchas que vivem do cultivo do fumo está sendo mudada devido à Resolução 4.107, criada pelo Banco Central e responsável por limitar a concessão de crédito aos produtores de tabaco via Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf). Pelas novas exigências, o produtor terá que, até 2014, comprovar que 45% da renda da propriedade é proveniente do cultivo de outras culturas. A troca do fumo por outras espécies, imposta pelo governo, na prática, não é tão simples de ser realizada. Sem apoio e investimentos o resultado final será catastrófico para os produtores rurais.

O tabaco é hoje um das culturas mais rentáveis e, sem o seu principal ganha pão, o número de pequenos agricultores, que já detêm a maior fatia de endividamento do setor primário, deve aumentar consideravelmente.  Será que ao invés de impor uma troca imediata não seria mais fácil o governo criar planos de capacitação que auxiliem esses produtores e ajudem a evitar um colapso na renda dessas famílias? O Senado, inclusive, já aprovou, em 2005, um decreto que intensifica o compromisso do Governo Federal de implementar o Programa Nacional de Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, o plano inclui projetos de pesquisa, capacitação, assistência técnica e extensão rural, com investimentos de cerca de R$ 17 milhões. Então, o que está faltando para o governo colocar em prática e livrar os fumicultores de um endividamento iminente? Dificultar o acesso ao crédito só vai piorar ainda mais a situação no campo, que já sofre com estiagens e poucos recursos.

Fonte: Jornal do Comércio | Paulo René | Advogado

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