Frustração com produtividade do milho em MT

O excesso de chuvas que atrasou o plantio da segunda safra de milho em Mato Grosso entre o fim de fevereiro e o começo de março está produzindo efeitos negativos neste início da colheita do grão no Estado. Os primeiros lotes, saídos do campo nos últimos dias, têm apresentado produtividades até 20% inferiores às médias que os agricultores esperavam, resultado da semeadura de boa parte das lavouras locais fora do período considerado ideal.

Em Sorriso, um dos principais polos de produção de Mato Grosso, havia a expectativa de uma colheita de 120 sacas por hectare nesta safrinha (como também é chamada a segunda safra de milho), mas a maioria está conseguindo 15% menos, em torno de 100 sacas, conforme Laercio Lenz, presidente do sindicato rural do município. "Na época do plantio, perdemos muito dos fertilizantes, que foram embora com as chuvas. Assim, o milho não absorveu toda a adubação que precisava e isso refletiu na produtividade", afirma Lenz.

Apesar da frustração com o rendimento inicial, Lenz conta que os trabalhos estão fluindo dentro da normalidade e que não há relatos de problemas com armazenagem, como os que ocorreram na safra passada. Pelo menos 10% da área com milho já está colhida em Sorriso e a expectativa é de uma produção de 2,5 milhões de toneladas na região este ano, quase 30% abaixo das 3,5 milhões de toneladas de 2013. A queda, lembra o presidente do sindicato rural, também é reflexo da redução de 20% na área plantada, que passou a 400 mil hectares na atual safra.

Em Tapurah, outra importante região produtora de grãos mato-grossense, os trabalhos de retirada do milho de campo estão finalizados em cerca de 20% da área plantada – que recuou de 75 mil hectares no ano passado para 70 mil em 2014, de acordo com Silvésio de Oliveira, presidente do sindicato rural local. Ele diz que os agricultores têm obtido 30 sacas por hectare (pouco mais de 20%) a menos do que previam nos primeiros talhões, ficando também na casa das 100 sacas por hectare. "Mas já imaginávamos que seria assim. As precipitações do início do ano realmente atrapalharam a cultura". No ano passado, com o clima amplamente favorável no decorrer da temporada, o milho rendeu até 150 sacas por hectare no município.

Se, por um lado, as chuvas atravancaram o início da safrinha, por outro favoreceram o desenvolvimento dos plantios mais tardios do grão em Mato Grosso, em função das precipitações entre o fim de abril e início de maio. As chuvas, ainda que não tenham sido generalizadas, tendem a contribuir para elevar a produtividade dessas lavouras semeadas por último. "Costumamos colher de 80 a 90 sacas com as variedades mais tardias, mas esse número deve ser de 10% a 15% maior este ano", estima Oliveira.

No momento, as negociações de milho estão lentas em Mato Grosso. Os produtores estão insatisfeitos com os valores oferecidos pela saca e têm preferido reter o grão, à espera de uma reação nas cotações. "O preço está em R$ 11 por saca, mas o agricultor espera pelo menos R$ 14 a R$ 15 por saca", afirma o presidente do sindicato rural de Tapurah.

Em relatório divulgado na sexta-feira passada, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) informou que a colheita da segunda safra de milho está concluída em 5,2% da área plantada total no Estado. Os trabalhos estão ligeiramente adiantados em relação aos 4,3% do mesmo período de 2013.

Nas contas do Imea, a produtividade parcial é de 94,5 sacas por hectare – acima da média de 85,4 sacas por hectare estimada para toda a temporada 2013/14. A expectativa do instituto é que Mato Grosso colha 15,4 milhões de toneladas de milho este ano, 31,5% abaixo das 22,5 milhões de toneladas produzidas no ciclo passado.

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Fonte: Valor | Por Mariana Caetano | De São Paulo

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