Fórum criado na Rio+20 fiscalizará compromissos

A criação do órgão atende aos objetivos do Brasil de reforçar o multilateralismo e criar condições para cobrar de todos os países

por Agência Estado

Aapo Haapanen

A declaração final da Rio+20 contém 23.917 palavras. Apenas duas vezes aparece a palavra que define o resultado palpável de uma negociação: "decidimos", já que os outros parágrafos começam com "reafirmamos", "reconhecemos" e equivalentes. As duas se referem à criação do Fórum de Alto Nível para o Desenvolvimento Sustentável.
Esse novo fórum é a expressão objetiva de um ganho intangível perseguido há décadas pela política externa brasileira: o avanço do multilateralismo. Ele substituirá, segundo a Agência Estado, a inofensiva Comissão do Desenvolvimento Sustentável, criada na Eco-92. Sua função será fiscalizar o cumprimento de compromissos sobre desenvolvimento sustentável assumidos na Agenda 21(firmada na Eco-92), no Plano de Johannesburg (na Rio+10) e noutras conferências subsequentes, incluindo a Rio+20.
Na segunda e última frase iniciada com "decidimos", a declaração lança um "processo de negociação aberto, transparente e inclusivo sob a Assembleia-Geral (da ONU) para definir o formato do fórum de alto nível e aspectos organizacionais com o objetivo de reuni-lo no começo da 68a sessão da Assembleia-Geral (em setembro de 2013)".
A criação de um órgão político da ONU com dentes voltados para o desenvolvimento sustentável atende ao mesmo tempo a dois objetivos do Brasil: reforçar o multilateralismo e criar condições para cobrar de todos os países, mas especialmente dos ricos em geral e dos Estados Unidos em particular, que façam a sua parte.
"A criação do fórum gera esperança de que as Nações Unidas possam trabalhar com a questão do desenvolvimento sustentável num outro patamar", disse a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. "Esperamos que o fórum de alto nível não só seja responsável pela avaliação de implantação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, mas que traga para a centralidade das questões da geopolítica internacional e do multilateralismo a discussão do desenvolvimento sustentável."

Fonte: Globo Rural

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *