Frio prejudica produção brasileira de pepino

Fonte: Valor | Marli Lima | De Curitiba

Em época de frio, muito se fala em quebra nas safras de grãos e também de hortaliças. Mas outro item tem sido afetado pelas quedas das temperaturas: o pepino, especialmente para conserva. Há alguns dias, a rede de lanchonetes Subway colocou aviso em suas lojas de que há falta de picles e, por isso, deixou de oferecer o produto aos clientes. Na estatal Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), houve aumento de preço de algumas variedades e redução na oferta e comercialização de outras.

O pepino é uma cultura de verão e, como outros integrantes da família das cucurbitáceas, como melão, melancia e abóbora, é sensível ao frio, segundo explica o professor Keigo Minami, do departamento de Produção Vegetal da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq). "Temperaturas abaixo de 10 graus afetam o crescimento da planta", diz. Ele observa que, com a queda na oferta e o aumento nos preços, quem produz para picles muitas vezes faz a opção de esperar que o pepino cresça e seja vendido para salada.

Levantamento da Ceagesp mostra que a comercialização de pepino comum, que representa o maior volume, caiu de 2.197.213 quilos, em julho de 2010, para 2.040.031 no mês passado (-7,15%). O preço, no entanto, saltou de R$ 0,47 para R$ 1,08 de um ano para o outro. No caso do pepino japonês, a queda observada foi de 14,2%, de 1.446.516 para 1.240.758 quilos, enquanto o preço aumentou de R$ 0,78 para R$ 1,74. A venda de pepino conserva, que responde pelo menor volume, despencou de 24.219 quilos, em julho do ano passado, para 6.762 quilos. O único aumento foi verificado no pepino caipira, que passou de 145.590 quilos para 217.534, enquanto seu preço passou de R$ 0,59 para R$ 1,20.

Funcionários de empresas como a Indústria de Conservas Luca, de Mogi das Cruzes, e Pomarte, de Espírito Santo do Pinhal, ambas do interior paulista, confirmaram a dificuldade em encontrar pepinos de qualidade, no tamanho e aparência ideais.

Na Hemmer, de Blumenau (SC), uma das maiores fabricantes de conserva de pepino do país, o problema começou na virada do ano, com frio na serra catarinense. Rodrigo Karsten, supervisor comercial da empresa, conta que são três a quatro meses de safra na região, por isso é preciso fazer projeção de plantio e de venda para o ano todo. "Projetamos 2 milhões de quilos e recebemos 1,1 milhão", diz. Com volume abaixo do esperado, o preço subiu para reduzir a demanda e aguardar a nova colheita. "O que temos em estoque precisa durar até novembro", comenta ele.

"O Brasil passa um momento crítico com a falta de matéria-prima para a produção de picles devido à instabilidade do clima das principais regiões produtoras, que precisa de um solo bastante arenoso, clima muito quente, com pouca variação de temperatura e sem quase nenhuma chuva", informou a Subway, sobre o assunto. A empresa acrescentou que usa picles produzido no Brasil e, como prevê que os estoques só serão regularizados no fim do ano, retirou o ingrediente da lista de recheio de seus sanduíches até dezembro. O Sul e o Sudeste são os maiores produtores de pepino do país.

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