África do Sul ameaça elevar tarifa de importação de frango

A África do Sul, sócia do Brasil no Brics, poderá aumentar para 82% a tarifa de importação sobre a carne de frango se decidir atender à demanda dos produtores locais para proteger seus negócios contra a concorrência brasileira. A expectativa é que um órgão do governo encarregado de comércio exterior responda ainda neste primeiro semestre se de fato as taxas – atualmente em 12% para o peito de frango e em 37% para coxa e sobrecoxa – serão elevadas.

De acordo com compromissos que assumiu na Organização Mundial do Comércio (OMC), a África do Sul pode elevar de forma expressiva essas alíquotas, e uma eventual decisão nesse sentido deve atingir todos os exportadores. Mas o Brasil pode sair mais prejudicado por ser o maior exportador do produto para o mercado da Africa do Sul.

Os produtores locais acionaram o governo alegando que o Brasil exporta a preços muito baixos e que, com isso, estaria "matando" não apenas a indústria local, mas ameaçando a saúde dos consumidores por causa de riscos de salmonela.

Já a Associação de Importadores da África do Sul sustenta que, se o governo aumentar a tarifa, a população mais pobre é que vai pagar a fatura. A carne de frango é a proteína animal mais consumida no país em razão dos preços mais baixos.

Em 2018, cerca de 8% dos embarques brasileiros de carne de frango (331 mil toneladas) foram destinados à Africa do Sul. Mas, com a campanha aberta pelos produtores sul-africanos, as vendas brasileiras já recuaram 20% em janeiro e fevereiro.

A África do Sul consome 200 mil toneladas de carne de frango por mês, das quais 170 mil são produzidas no próprio país. Assim, os importadores insistem que uma boa parte do mercado é abastecida pela produção nacional e que há espaço e necessidade para importações.

O órgão do governo que examina o pleito dos produtores poderá decidir por diferentes tarifas ou pela imposição de cota (volume quantitativo com alíquota menor). Em todo caso, as exportações brasileiras de carne de frango estão ameaçadas. E só o barulho em torno de questões sanitárias já prejudica o produto brasileiro.

Uma fonte observa que o ministro de Comércio da África do Sul, Rob Davies, representante do Partido Comunista na coalizão governamental, tem uma visão de comércio limitada a vender ou privilegiar transações entre os africanos. A ideia de que os países do Brics podem trabalhar para facilitar o comércio entre eles está longe da realidade.

E a ameça da África do Sul não é a única. As exportações de frango do Brasil têm enfrentado desafios também em países como Arábia Saudita e Indonésia – além da China, que recentemente decidiu não habilitar novos frigoríficos brasileiros.

Por Assis Moreira | Da Cidade do Cabo (África do Sul)

Fonte: Valor

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