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Uso de alta tecnologia pode ajudar produtores a reduzir as perdas causadas pela estiagem em até 50% nas lavouras de soja


Sorte ou recompensa? Eis o dilema que desafia o campo diante de uma safra castigada pela seca. Mas o contraste entre lavouras arrasadas e de produtividade acima da média expõe outra constatação: o sucesso independe da chuva. Pesquisas do projeto Aquarius, focado em agricultura de precisão, apontam que o uso de alta tecnologia pode reduzir de 30% a 50% as perdas na soja na safra atual.
A estimativa é baseada no resultado preliminar de análises de solo e rendimento de culturas. O coordenador do projeto, doutor em Ciência do Solo e professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Telmo Amado, afirma que lavouras de alta tecnologia resistem melhor à falta de chuva e produzem mais. O manejo do solo é apontado como diferencial em épocas de falta de chuva prolongada.
– A seca desestimula o agricultor a investir, mas deveria ser o contrário. Não podemos abrir mão da tecnologia – observa.
Amado explica que alta tecnologia não se resume a máquinas e equipamentos modernos. Trata-se de conjunto que inclui genética, semente, manejo adequado, rotação de cultura, uso adequado de insumos e planejamento.
Da euforia à ruína, vários produtores investem errado e pagam caro por isso. Um exemplo é a agricultura de precisão. Muitos mapeiam o solo, mas poucos fazem as correções necessárias. A maioria por falta de dinheiro. Para Amado, porém, é preciso planejar. A seca pode até desestimular, mas não justifica a falta de investimento.
– A diferença do uso de tecnologia entre a lavoura bem feita e a precária salta aos olhos – ressalta João Leonardo Pires, pesquisador da Embrapa.
A família Henrich, de Tapera, investiu em uma colheitadeira com sistema axial-flow, que reduz as perdas na colheita e garante maior qualidade dos grãos.
– Faz o trabalho de duas máquinas, em função do tamanho como um todo, incluindo a plataforma – diz Luiz Felipe Henrich, que administra uma propriedade de 1,6 mil hectares, em Palmeira das Missões, ao lado do tio Osvaldo Henrich Filho (foto acima).
Apesar de colher uma safra menor neste ano por conta da estiagem – serão 40 sacas de soja por hectare ante 63 sacas colhidas no ano passado –, Luiz Felipe tem consciência de que a situação poderia ser mais dramática.
– Se não tivéssemos investido em tecnologia, a perda seria maior – completa o produtor, que aposta na tecnologia da nova colheitadeira para minimizar os prejuízos.
O pesquisador da Embrapa observa, porém, que só a tecnologia não salva a lavoura. O bom resultado é a soma de conhecimento, cuidado e investimento. De médio a longo prazo, explica, só a disciplina e o foco em melhorar a produtividade são capazes de reduzir a oscilação de rendimento diante de secas cíclicas no Estado.

Fonte: Zero Hora  | *Colaborou Joana Colussi leandro.becker@zerohora.com.br | LEANDRO BECKER*

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