FRAUDE NO LEITE TINHA RAMIFICAÇÃO NO PARANÁ

Na sexta fase da Operação Leite Compen$ado, quatro suspeitos foram presos

A cooperativa paranaense Confepar Agro-Industrial Cooperativa Central foi o alvo da sexta fase da Operação Leite Compen$ado, deflagrada ontem pelo Ministério Público. Responsável pela destinação de 7,3 milhões de litros de leite gaúcho por mês ao Paraná, comercializados com a marca Polly, a Confepar adquiria o produto fraudado ou em deterioração, impróprio para consumo.

O promotor de Justiça Especializada Criminal Mauro Rockenbach explicou que essa operação teve foco na qualidade. Nas outras foi denunciado o aumento do volume do leite e adição de substâncias como ureia e formol. Equipes do MP, do Ministério da Agricultura (Mapa), da Receita Estadual e da Brigada Militar cumpriram cinco mandados de prisão e 16 de busca e apreensão em 11 municípios do Estado e em Londrina (PR), matriz da cooperativa.

Em São Martinho, onde fica um posto de resfriamento da Confepar, foi preso o responsável pela captação no local, Fernando Júnior Lebens. Houve ainda prisões de transportadores. Segundo o MP, em Campina das Missões, Diego André Reichert realizaria o transbordo de leite sem condições de higiene. Em Taquaruçu do Sul, Alcenor Azevedo dos Santos, presidente da Cooagrisul, que produzia 20 mil litros de leite/dia, foi preso. Em Ibirubá, Cleomar Canal, um dos sócios da empresa Transportes Três C, denunciado pela mesma prática na primeira fase da Leite Compen$ado foi preso. O processo ainda não foi julgado.

Rockenbach destacou o risco em destinar ao consumidor leite ácido, envelhecido, em desacordo com as normas. ‘Se há indícios, a indústria deve rejeitar. O posto de resfriamento, por exemplo, tem estrutura de laboratórios equipados com reagentes. A empresa sabia do problema e industrializava mesmo assim.’

O subprocurador-geral de Justiça para Assuntos Jurídicos, Ivory Coelho Neto, que acompanhou a operação, afirmou que não se pode deixar uma cadeia produtiva tão respeitada, como a do leite, ser prejudicada por atos criminosos. ‘Eles aproveitavam um leite que seria jogado fora.’ Nos próximos dias, o MP deve reunir novamente o Sindilat e as indústrias. Depois, vai realizar uma nova operação.

O Mapa recolheu amostras para mais análises. Nos dias 12 de março e 3 de abril, laboratório credenciado já havia apresentado 60 laudos com material em deterioração. Três deles indicaram adulteração com adição de água ou outras substâncias, não identificadas. A Receita reuniu notas e documentos para verificar se a empresa declarava a industrialização de 7,3 milhões de litros/mês. A Justiça de Santo Augusto autorizou a apreensão de 24 caminhões. Os presos foram encaminhados ao Presídio de Três Passos.

Fonte: Correio do Povo

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