FRAUDE NO LEITE | Produtores amargam atraso no pagamento

Fornecedores teriam parado de receber da Hollmann e da Pavlat após operação do MPE flagrar irregularidades nas duas empresas, em maio

Empresas de laticínios flagradas na Operação Leite Compen$ado não estariam pagando produtores gaúchos desde abril. Para colocar as contas em dia, criadores afirmam que será necessário vender parte dos animais. É o caso de fornecedores de Viamão, que vendiam a produção para a Hollmann Laticínios, de Imigrante, uma das investigadas pelo Ministério Público Estadual (MPE). Ao todo, o órgão já realizou cinco ações para coibir as fraudes no leite no Rio Grande do Sul desde 2013.
Produtores de diferentes municípios gaúchos ainda esperam receber valores referentes a abril e aos primeiros 15 dias de maio. Há situações nas quais a dívida, nesse período, chegaria a R$ 100 mil. Mesmo as famílias com saldo menor para receber começam a se encaminhar para uma saída drástica: vender vacas para pagar credores. No sítio de Lúcio Abreu, 42 anos, em Itapuã, a cada dia marcado no calendário fica mais próxima a necessidade de venda de pelo menos três dos 25 animais.
Há sete anos, Abreu e a mulher, Cintia Bueno, investem na produção de leite. Pequenos produtores, eles enfrentam pela primeira vez o acúmulo de dívidas. Dos R$ 4 mil que o casal contava receber, R$ 3 mil têm como destino o pagamento de insumos comprados anteriormente.
– Meu medo é acabar a ração e não ter mais como comprá-la. Se nada mudar, logo vou ter de vender algumas vacas, que são o nosso ganha-pão, para não ficar devendo – ressalta o produtor de Viamão, maior bacia leiteira da Região Metropolitana.
PRODUTORES BUSCAM PAGAMENTO NA JUSTIÇA
O problema do atraso nos pagamentos aos produtores de leite afeta de forma significativa o grupo de 115 criadores de Viamão. Desse total, 10% forneciam somente para a Hollmann. Entre os prejudicados está Enírio da Silva, 62 anos, morador da localidade de Costa do Ouveiro, que há mais de 50 anos atua no setor leiteiro. Com o filho, Ronaldo, 34 anos, Silva aguarda o pagamento de cerca de R$ 30 mil.
– Ligo diariamente para a empresa. A última resposta que tive é que, como não estão conseguindo vender, não têm como nos pagar. Acabamos contratando um advogado, porque nossa situação é muito complicada. Se não recebermos nada urgentemente, vamos precisar vender alguns animais – preocupa-se Ronaldo.
A situação dos produtores de Viamão é semelhante à encontrada em outros municípios do Estado. Em São José do Herval, no alto da Serra do Botucaraí, pelo menos 30 pequenos produtores de leite que forneciam para a empresa de Imigrante deverão ingressar individualmente na Justiça solicitando os valores não recebidos.
Procurados por Zero Hora, na sexta-feira, advogados da Hollmann afirmam que, com o final do regime especial de fiscalização a que estava submetida a empresa, as vendas devem retornar à normalidade – assim como os pagamentos aos fornecedores. A assessoria de comunicação da Pavlat também informou que a quitação das dívidas será feita conforme o avanço das vendas. As duas indústrias asseguram que a prioridade será pagar produtores de leite, mas ainda não há prazo definido para o início.
aline.custodio@diariogaucho.com.br

ALINE CUSTÓDIO

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Fonte: Zero Hora

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