FRANGO SE TORNOU O SÍMBOLO DO REAL

Por custar apenas R$ 1,00 o quilo, o frango foi alçado à condição de símbolo do Plano Real em 1994. Como consequência do preço, o consumo aumentou – e o brasileiro passou a se alimentar melhor.

Antes da moeda entrar em vigor, cada habitante consumia em média 17 quilos por ano. Em 2013, o índice per capita foi de 42 kg, o que representou um aumento de 147% em 19 anos. ‘Foi a âncora do plano. Isso que o frango já era uma das proteínas mais consumidas, porque as outras praticamente estavam fora da mesa dos brasileiros’, recorda o presidente-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e ex-ministro da Agricultura, Francisco Turra.

O preço do frango já não é mais o mesmo – o quilo custa hoje na faixa de R$ 6,00 para o consumidor. Apesar do reajuste acima da inflação acumulada no período, o presidente da Asgav, Nestor Freiberger, é enfático ao afirmar que o Plano Real fez mal ao setor. ‘A avicultura não tem nada a comemorar. É uma lembrança muito negativa, porque sofremos na época por essa questão do congelamento de preços’, argumenta. De acordo com ele, o preço do produto não foi reajustado na mesma proporção do aumento dos custos. Um exemplo é o preço dos grãos utilizados na alimentação dos animais. ‘O Plano Real não tem mais nada a ver com a realidade de hoje.’

A popularidade do frango fez com que a carne bovina perdesse espaço nos primeiros anos da nova moeda. Para colocar proteína animal na mesa, a maioria dos brasileiros escolheu a opção mais barata. ‘A interligação entre as carnes é muito forte. O consumidor está sempre olhando onde o poder aquisitivo dele é maior’, afirma o vice-presidente da Farsul, Gedeão Silveira Pereira. Para ele, o preço baixo do frango nos primeiros anos do Real não deixou a carne bovina ‘decolar’. O crescimento do consumo per capita foi pequeno – passou de 32,6 kg em 1994 para 35kg em 2013. Apesar disso, o cenário hoje é de otimismo. ‘A pecuária e o Brasil têm a comemorar. Houve uma defasagem, mas que ao longo dos anos teve recuperação’, observa.

Um dos fatores que colaboraram para o crescimento do setor foi a ausência de dívidas significativas adquiridas no período da hiperinflação – diferente de outros segmentos da agropecuária. ‘A pecuária não tinha endividamento porque na época não tinha crédito, diferente de hoje’, recorda Pereira.

Fonte: Correio do Povo

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