Formação de mão de obra é grande gargalo, diz Luiz Fernando Coelho

Professor de mecanização agrícola da UFRS analisa o papel da feira no avanço tecnológico no campo

por Tânia Rabello

 Arquivo pessoal

O professor Luiz Fernando Coelho de Souza, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), acompanhou de perto a evolução da agricultura nesses 20 anos (Foto: Arquivo pessoal)

O professor Luiz Fernando Coelho de Souza, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), acompanhou de perto a evolução da agricultura nesses 20 anos. É docente de mecanização agrícola há mais de três décadas e confirma o que se vê no campo atualmente: a sofisticação das máquinas agrícolas brasileiras. Sofisticação que se traduz em maior produtividade e menos desperdício. Vencida a barreira da tecnologia, porém, o professor é categórico ao afirmar que o gargalo hoje é a formação de mão de obra adequada para operar toda essa tecnologia embarcada nas colheitadeiras, tratores, pulverizadores e outros implementos.
Globo Rural: Em pouco mais de 20 anos, o Brasil tornou-se uma potência agrícola. O que evoluiu na motomecanização?
Luiz Fernando Coelho de Souza: A motomecanização no Brasil é recente. Começou em 1959, com o Plano Nacional da Indústria de Tratores, no governo de Juscelino Kubitschek. O programa governamental foi um grande incentivo à instalação de indústrias de mecanização agrícola no Brasil, como Fendt, Valmet, Tobatta, Iseki, Pasco, Agrale, FNV e Fiat. Nesse período, as oficinas instaladas aqui, que só consertavam máquinas importadas, viraram fabricantes de tratores. Aí começaram a ser produzidos os tratores brasileiros, como os da CBT e também os da Massey Ferguson. Eram, porém, tratores utilizados praticamente só para tração, de baixa potência, que variava entre 35 e 50 cavalos-vapor (cv), e bastante limitados em termos hidráulicos.
GR: Quando começou a mudar?
Souza: No fim da década de 1970 e início de 1980, quando a pressão ambiental tornou-se maior, o preço da terra aumentou e começou-se finalmente a pensar em produtividade, não só em termos de mecanização agrícola, mas em tudo o que se refere à agricultura.
GR: Como a Agrishow contribuiu com essa evolução?
Souza: Ela começou já com o objetivo de mostrar tudo o que havia de mais recente em termos tecnológicos, seja em equipamentos nacionais, seja em importados. Ela sempre trouxe equipamentos importados, o que fez com que a indústria nacional se apropriasse de novas tecnologias e pudesse produzir equipamentos para disputar em condições de igualdade com os de fora. Hoje, as máquinas produzidas aqui não devem nada a nenhuma outra.
GR: Um dos apelos da Agrishow é que os produtores têm condições de comparar máquinas de diferentes fabricantes. O senhor acha viável essa comparação?
Souza: Tem condição de comparar sim. A Agrishow é pioneira nisso. E digo mais: essa comparação dá mais segurança para o agricultor, porque ele vê a máquina trabalhando, discute com o colega agricultor que também está ali. É bem diferente de olhar um catálogo.
GR: O avanço tecnológico chegou aos pequenos produtores?
Souza: Chegou. O pequeno produtor rural hoje tem acesso a linhas de financiamento e a uma tecnologia muito semelhante à disponível para o grande produtor. Tratores e colheitadeiras de menor potência também comportam uma tecnologia embarcada de qualidade.

Fonte: Globo Rural

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