FORCINHA DO DÓLAR | RS bate recorde de exportações

Supersafra de soja e recuperação da indústria levaram Estado a alcançar seu melhor resultado em vendas para outros países

Impulsionado pela supersafra de soja e pela entrega de três plataformas de petróleo, o Rio Grande do Sul bateu recorde de exportações em 2013. Além do bom momento na agricultura, as vendas ao Exterior – de US$ 25 bilhões – sinalizam a retomada de fôlego da indústria gaúcha.
O avanço de 44,3% em relação a 2012 foi inflado pela venda de três plataformas de petróleo produzidas no polo naval de Rio Grande. Na prática, os equipamentos não chegaram a sair do Brasil e só entraram na conta por uma regra tributária especial para o segmento. Juntas, as três estruturas representaram 19% das exportações em 2013.
Quando o cálculo é feito sem incluir as plataformas, o valor das exportações fica menor – US$ 20,3 bilhões. Mesmo assim, ainda é o melhor resultado da série histórica, calculada pela Fundação de Economia e Estatística (FEE) desde 2003. Com esse desempenho, o Rio Grande do Sul volta a ser o terceiro maior Estado exportador do Brasil, ultrapassando Rio de Janeiro e Paraná.
– O resultado reflete o bom momento da agricultura, mas também sinaliza a retomada mais consistente da indústria, que sem as plataformas teria um avanço significativo de 4,1% – explica Guilherme Risco, economista da FEE.
Depois de patinar em 2012, a indústria gaúcha voltou a acelerar o passo e aumentou o volume de embarques. Para Heitor José Müller, presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs), o desempenho ainda deve ser visto com cautela:
– A desvalorização da taxa de câmbio não teve impactos tão positivos quanto esperávamos. Problemas estruturais ainda diminuem a competitividade dos nossos produtos.
Na indústria, o maior recuo foi em produtos alimentícios e bebidas, que tiveram queda de 6,7% nas vendas para o Exterior em razão da menor exportação de óleo de soja. Agricultores têm optado por destinar soja para o processamento de biodiesel ou vender o grão in natura ao Exterior.
Barreiras argentinas afetam o desempenho
Marcos Oderich, diretor comercial da Conservas Oderich, confirma que em 2013 a empresa expandiu as exportações em quase 10%. O desempenho poderia ter sido melhor não fossem as barreiras comerciais impostas pela Argentina. O governo de Cristina Kirchner tem cancelado, sem justificativa oficial, autorizações de importação para alimentos, móveis e calçados produzidos no Brasil.
O setor calçadista, que vinha perdendo espaço há pelo menos três anos, também voltou a crescer em 2013. Heitor Klein, presidente-executivo da Abicalçados, afirma que o desempenho foi resultado da alta do dólar e do alívio tributário na folha de pagamento, que podem seguir impulsionando as vendas neste ano.
– Precisamos que o dólar se estabilize em um patamar mais alto. Só assim ganharemos competitividade e poderemos recuperar terreno no mercado internacional – diz Klein.
cadu.caldas@zerohora.com.br

CADU CALDAS

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Fonte: Zero Hora

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