Fonte eólica ganha cada vez mais espaço no Estado

ANTONIO PAZ/ARQUIVO/JC

Antunes afirma que o Rio Grande do Sul terá 44 usinas eólicas

Antunes afirma que o Rio Grande do Sul terá 44 usinas eólicas

Os ventos que sopram no Rio Grande do Sul são cada vez mais produtivos e, além de traduzir o ar em movimento no balanço das copas das árvores, está dando ao Estado a oportunidade de se tornar uma das mais importantes fronteiras da energia eólica no Brasil. Dados preliminares do Balanço Energético Nacional 2012, organizado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), mostram que, entre as fontes renováveis de matriz energética, a energia eólica teve crescimento de 24,2% no ano passado, o mais significativo no segmento e equivalente a geração de 2,7 mil gigawatts-hora (GWh) no período.  Nesse cenário, o Estado vem desempenhando um papel de destaque, com a contratação de 744 megawatts (MW) em seis leilões nos últimos três anos.
A região é promissora, com a perspectiva de investimentos na ordem de R$ 4,8 bilhões até 2016 na construção de novos parques eólicos, que devem aumentar a capacidade geradora dos atuais 340 MW para cerca 1 GW. O sucesso nos leilões e o estabelecimento da energia eólica como a segunda maior prioridade da política industrial do governo estadual levaram à organização do Seminário Panorama da Energia Eólica para o Rio Grande do Sul, que acontece amanhã – quando se comemora o Dia Global do Vento – em Porto Alegre. Promovido em parceria entre a Secretaria de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (SDPI), a Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI), a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) e o Canal Energia, o evento quer avaliar as principais oportunidades e o potencial do mercado gaúcho no desenvolvimento da matriz renovável, com a participação de diversas autoridades no tema.
O secretário-adjunto da SDPI, Junico Antunes, explica que o Rio Grande do Sul vai contar com mais 44 usinas eólicas nos próximos anos, fruto dos investimentos de quase R$ 5 bilhões em projetos já contratados através dos leilões de energia eólica. A ampliação para 1 GW de capacidade é apenas o primeiro passo de um caminho mais longo. Com potencial para gerar um terço da energia eólica brasileira, o Estado deve crescer até um limite estimado em 100 GW, num universo de 300 GW hoje associados à capacidade total do País de gerar energia através dos ventos. “Isso mostra o enorme potencial que temos aqui, e a nossa tarefa, que está sendo feita, é de atrair fábricas de aerogeradores e, com isso, ter também componentes produzidos no Rio Grande do Sul”, explica o secretário-adjunto.
A presidente da Abeeólica, Elbia Melo, que vai palestrar no seminário, lembra que o Brasil vive um panorama virtuoso, com a consolidação de um crescimento sustentável da energia eólica. Elbia diz que o Rio Grande do Sul vem chamando a atenção de empreendedores por estar colocado como o quarto estado em volume de investimentos na matriz energética.
“Hoje, o Rio Grande do Sul tem mais de 300 MW sendo gerados pela energia eólica, e já tem contratados 1400 MW, 100 MW deles em construção e outros 990 MW que já foram contratados e começam em breve sua construção”, elenca a executiva.

Produção de etanol deve se normalizar em dois anos

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim, estima que a produção de etanol levará até dois anos para se normalizar após uma crise que ele atribui a fatores conjunturais. Segundo Tolmasquim, a queda do biocombustível foi a principal causa da diminuição de 0,9% da participação de energias renováveis no Balanço Energético Nacional.
“Estamos em um período ruim para o etanol, pois tivemos um baque depois da crise mundial de 2008 e as modernizações necessárias não puderam ser feitas. Além disso, tivemos azar no aspecto climático nos últimos dois anos. Então, estamos com problema de falta de matéria-prima e tivemos um aumento nos insumos”, afirmou Tolmasquim. “Mas são questões conjunturais, continuo apostando que o etanol vai deslanchar. Teremos um ou dois anos de efeitos e depois o crescimento vai voltar, pois estão sendo feitos investimentos e foram tomadas medidas, como a estocagem.”
A crise no setor provocou uma queda de 9,2% no uso de produtos da cana-de-açúcar para a produção energética. De acordo com Tolmasquim, o aumento da energia produzida por hidrelétricas (6,1%) evitou um impacto maior no quadro geral. “A matriz ficou praticamente estável, ficou normal dentro da variação. Tivemos um ano hidrológico muito bom e compensou a diminuição do etanol. Entre as não renováveis, o uso da gasolina acabou aumentando.”

Fonte: Jornal do Comércio | Mayara Bacelar

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